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Correio da Manhã

Política
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Alegristas vetam apoio do PS a Mário Soares

A reunião da Comissão Nacional do PS para formalizar o apoio à candidatura de Mário Soares à Presidência da República ficou ontem marcada pelos votos contra de onze apoiantes de Manuel Alegre. Helena Roseta foi um nomes que mais contestou o apoio a Soares, por considerar que esta candidatura não representa a “renovação” política necessária.
5 de Setembro de 2005 às 00:00
Numa reunião que contou com algumas ausências, como as de Manuel Alegre, Maria de Belém, Alberto Martins e João Cravinho, o apoio a Mário Soares acabou por ser aprovado por 163 dos 175 membros da Comissão Nacional do PS que ontem, segundo Jorge Coelho, participaram na reunião. Para justificar o apoio a Mário Soares, o dirigente socialista enumerou três razões: “É o político português com maior prestígio internacional”, é uma candidatura que “apela à coesão nacional e à união dos portugueses” e que “usará a sua magistratura de influência para garantir a estabilidade”. Os argumentos não convenceram, no entanto, alguns socialistas, entre os quais Helena Roseta, que acabaram por votar contra. Para esta apoiante de Alegre, é “negativo para a democracia que o dr. Mário Soares se tenha visto obrigado a recandidatar”, contestando o “vazio” argumentado pelo ex-Presidente da República para avançar na corrida a Belém.
A deputada socialista garantiu ainda que não irá apoiar a candidatura de Mário Soares e espera não ser, por isso, sancionada. E lembrou, aliás, que já foi expulsa do PSD por apoiar Soares. Jorge Coelho garantiu ontem que não serão aplicadas sanções aos que votaram contra: “No PS ninguém é punido por ter opiniões diferentes”. Uma das intervenções mais emocionantes coube a António Campos. O velho amigo de Soares lembrou que, quando Manuel Alegre esteve à beira de ser excluído da lista de deputados por Coimbra, percorreu as secções do PS para o defender. Por isso, o apoio do PS à candidatura de Soares “não é uma questão de amigos”.
SOCIALISTAS REPUDIAM INSINUAÇÕES
O dirigente socialista, Jorge Coelho, refutou ontem as acusações do líder do PSD, Marques Mendes, sobre a interferência do Governo na venda da TVI ao grupo espanhol Prisa (ver notícia da página 23). “O PS repudia totalmente qualquer insinuação nessa matéria. Nem o Governo nem o PS se imiscuem em negócios de foro privado ”, afirmou ontem Jorge Coelho à margem da reunião do Conselho Nacional do PS que formalizou o apoio à candidatura de Mário Soares.
O dirigente socialista remeteu mesmo em seguida as críticas para os sociais-democratas: “Não tomem os outros por aquilo que, pelos vistos, seriam capazes de fazer”. “Em Portugal mandam os portugueses”, rematou.
Jorge Coelho fez ainda questão de ‘emendar’ contas de Marques Mendes sobre o desemprego, apresentando os números o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), que expressam uma ligeira redução das taxas de desemprego desde que o Governo socialistas tomou posse.
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