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Correio da Manhã

Política
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Alemanha pune luvas em Portugal

A justiça alemã condenou ontem dois antigos responsáveis da Ferrostaal a dois anos de prisão com pena suspensa pelo pagamento de ‘luvas’ no âmbito da venda de submarinos a Portugal, mas também à Grécia.
21 de Dezembro de 2011 às 01:00
Paulo Portas era o ministro da Defesa
Paulo Portas era o ministro da Defesa FOTO: Lusa

No que diz respeito ao caso português, o Tribunal Regional de Munique deu como provado que o ex-cônsul honorário em Munique, Jürgen Adolff, foi subornado pelos dois antigos responsáveis com 1,6 milhões de euros, para que propiciasse contactos com o governo português. A queixa-crime foi omissa quanto a eventuais reuniões que o diplomata terá organizado com o executivo então chefiado por Durão Barroso, e cujo Ministério da Defesa era tutelado por Paulo Portas.

Os acusados são o ex-administrador Johann-Friedrich Haun e o ex-procurador Hans-Peter Muehlenbeck, que se deram como culpados perante o tribunal. O Ministério Público de Munique acusou-os de terem pago ‘luvas’ no valor de 62 milhões de euros, entre 2000 e 2003, para obter vantagens sobre a concorrência na venda dos submersíveis. Além da condenação a pena de prisão suspensa, o tribunal condenou Haun ao pagamento de uma coima de 36 mil euros e Muehlenbeck de 18 mil euros.

A empresa Ferrostaal, que tem dois administradores arguidos em Portugal, reconheceu as práticas ilegais e aceitou pagar uma coima de 140 milhões de euros.

JULGAMENTO POR AGENDAR

O juiz Carlos Alexandre confirmou, no início deste ano, a acusação do Ministério Público e validou as perícias da INTELI no caso do contrato das contrapartidas dos submarinos entre o Estado português e o German Submarine Consortium, decidindo levar a julgamento os nove arguidos, todos acusados, em co-autoria, de falsificação de documentos e burla qualificada. Os portugueses acusados são José Pedro Ramalho, Filipe Moutinho, António Roquete, Rui Moura Santos, Fernando Costa Gonçalves, António Jacinto e José Medeiros. Os arguidos alemães da Ferrostaal são Antje Malinowski e Winfried Hotten. O processo já transitou para as Varas Criminais de Lisboa, aguardando-se a marcação do julgamento.

PAULO PORTAS SUBMARINOS JUSTIÇA ALEMANHA
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