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Correio da Manhã

Política
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AMIGOS COMO ANTES

“O Iraque não irá separar nem um centímetro Madrid de Lisboa”. A frase do chefe do governo espanhol ilustra bem a mensagem que Rodriguez Zapatero e Durão Barroso quiseram ontem passar, depois da polémica em torno da retirada das tropas espanholas.
5 de Maio de 2004 às 00:00
Uma reunião de duas horas serviu para ambos defenderem que as relações ibéricas estão acima de qualquer conjuntura político-partidária, e que só podem melhorar. A prová-lo está o elogio do primeiro-ministro espanhol ao percurso político de António Vitorino na Comissão Europeia.
A posição espanhola sobre este ‘dossier’ ainda não estava fechada, mas a avaliar pelas declarações de Zapatero que “vê com bons olhos” a candidatura do comissário português, o encontro entre os dois chefes de governo terá tido os seus frutos. Um apoio que pode vir a ser de peso e juntar-se a um outro, o de Tony Blair.
A primeira visita de Zapatero a Portugal permitiu ainda o anúncio oficial da cimeira ibérica em Santiago de Compostela, já em Outubro e a clarificação de que todos os compromissos assumidos por José María Aznar serão respeitados (no mercado eléctrico – MIBEL e TGV).
A única nota dissonante foi mesmo o caminho a seguir contra o terrorismo. Se, de início, Barroso e Zapatero quase que falaram a uma só voz, já quanto à possibilidade de “medidas legislativas”, condicionantes da liberdade dos cidadãos, o primeiro-ministro português foi claro ao contestar qualquer “deriva securitária” no regime democrático. O governo de Zapatero, recorde-se, chegou a admitir realizar escutas em mesquitas espanholas.
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