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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Amigos de Portas sob suspeita

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) identificou três ex-assessores de Paulo Portas, com quem o ex-ministro da Defesa tem laços de amizade, como suspeitos no negócio dos submarinos.Trata-se de Pedro Brandão Rodrigues, Bernardo Carnall e Fernando Geraldes, que foram também dirigentes do CDS-PP.<br/><br/>

06 de setembro de 2012 às 01:00

Os nomes são revelados num documento do DCIAP de 2 de Setembro de 2009, quando decorria a campanha eleitoral para as legislativas no final desse mês. Pedro Brandão Rodrigues, ex-presidente da Comissão Permanente de Contrapartidas (CPC), Bernardo Carnall, ex- -secretário-geral do Ministério da Defesa, e Fernando Geraldes, ex-presidente dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), integraram o grupo restrito que deu assessoria a Paulo Portas na compra dos submarinos.

O documento do DCIAP, que consta nos autos do processo de arquivamento do inquérito a Bernardo Ayala, é categórico: "Os mencionados Pedro Brandão Rodrigues, Bernardo Carnall e Fernando Geraldes, a confirmarem-se as suspeitas, poderão vir a ser responsabilizados pela prática dos factos e crimes sob investigação nestes autos." Na investigação à compra dos submergíveis ao German Submarine Consortium (GSC), estão em causa suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais.

O documento do DCIAP refere ainda que "os agentes do Estado supra indicados, se não beneficiaram directamente, poderão, pelo menos, ter proporcionado benefícios ilícitos a entidades terceiras, participando assim de forma decisiva e consciente na concretização dos factos sob suspeita."

CASOS POLÍTICOS SEM CASTIGO

Submarinos, Freeport, Portucale. Todos processos envolvendo políticos, todos processos sem suspeitas sobre políticos.

A directora do DCIAP, Cândida Almeida, que esta semana assegurou não terem sido recolhidos indícios contra Paulo Portas no inquérito à compra dos submersíveis, fez uma declaração idêntica , em 2009, quando garantiu não haver qualquer suspeita que pusesse em causa a actuação de José Sócrates no processo de licenciamento do Freeport. O caso do outlet chegou a julgamento, mas o ex-primeiro-ministro nunca foi ouvido e os únicos arguidos, Charles Smith e Manuel Pedro, acabaram absolvidos. O mesmo destino teve o processo Portucale. O caso do abate de sobreiros em Benavente envolvia três ex-ministros – Costa Neves, Telmo Correia e Nobre Guedes –, mas estes não chegaram a ser acusados. Os arguidos que foram julgados, entre os quais Abel Pinheiro, acabaram absolvidos. Parece ser o destino dos processos investigados no DCIAP.

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