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Correio da Manhã

Política
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Ana Jorge no topo da popularidade

A presença diária da ministra da Saúde nos meios de Comunicação Social, devido à pandemia de gripe A, está a dar notoriedade à governante. Ana Jorge tornou-se na ministra mais popular do Executivo de José Sócrates, a contrastar com o ministro das Obras Públicas, que está no fim da tabela de popularidade.
12 de Julho de 2009 às 00:30
Presença diária nos órgãos de Comunicação Social, devido à gripe A, trouxe notoriedade à ministra da Saúde. Para o politólogo Adelino Maltez, Mário Lino merecia um 19 pela piada
Presença diária nos órgãos de Comunicação Social, devido à gripe A, trouxe notoriedade à ministra da Saúde. Para o politólogo Adelino Maltez, Mário Lino merecia um 19 pela piada FOTO: João Miguel Rodrigues

Numa escala de 0 a 20, os portugueses atribuíram à actuação de Ana Jorge a nota 12, a mais alta de todo o Governo, de acordo com uma sondagem CM/Aximage.

A ministra da Saúde destronou assim o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, que desde Fevereiro liderava a tabela de popularidade. Situação que não surpreende o politólogo Adelino Maltez: 'Os portugueses não gostam de ministros políticos, gostam de médicos', afirmou ao CM, destacando a intervenção da ministra junto dos órgãos de Comunicação Social para tranquilizar a população. Em relação a Luís Amado, Adelino Maltez sublinha que o ministro 'caracteriza-se por não dizer nada'.

Foi a nota do ministro das Obras Públicas que surpreendeu o politólogo. Mário Lino ocupa o último lugar do ranking com 8,4, nota que deverá reflectir as recentes polémicas em torno dos grandes investimentos públicos. 'Pela piada teria 19 valores', afirmou Adelino Maltez, classificando Mário Lino como o 'operário de serviço'. 'Tem que dar a cara até por coisas com as quais não concorda', atirou.

No fim da tabela da popularidade está ainda a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, com 8,5. O conflito com os professores, devido às reformas na Educação, nunca permitiram à ministra obter uma nota positiva.

NOTA NEGATIVA PARA MANUEL PINHO

Os portugueses atribuíram ao ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, uma nota negativa, mas o gesto insultuoso que levou à sua demissão não o fez cair para o fundo da tabela da popularidade. Numa escala de 0 a 20, Manuel Pinho obteve a nota de 9,4, segundo uma sondagem CM/Aximagem, realizada na semana marcada pela sua demissão do Governo.

Em pleno debate sobre o Estado da Nação, Manuel Pinho, furioso com os comentários do deputado do PCP Bernardino Soares, puxou dos indicadores e simulou uns chifres. O gesto insultuoso obrigou José Sócrates a apresentar um pedido de desculpas formais à Assembleia da República e a demitir, em directo, o governante. Isto aconteceu no passado dia 2 de Julho, ao mesmo tempo que decorria a sondagem.

Apesar da polémica em torno do gesto de Manuel Pinho, que mereceu destaque até na imprensa internacional, a popularidade do ex-ministro não parece ter sido muito afectada. A nota do ex-ministro caiu apenas de 9,8 (registada em Junho) para 9,4. O politólogo Adelino Maltez explica porquê: 'Esse é um gesto que muita gente faz. Há palavras mais graves proferidas pela oposição.'

SAIBA MAIS

SAÍDAS

António Costa, Freitas do Amaral, Campos e Cunha e Isabel Pires de Lima foram alguns nomes que já passaram pelo Governo na qualidade de ministros.

15

O actual Governo tem 15 ministros, além do primeiro-ministro. Até à saída de Manuel Pinho eram 16. Agora Teixeira dos Santos acumula Finanças e Economia.

38

É o número de secretários de Estado do actual Executivo, o décimo sétimo de Portugal.

NOTAS

MAIS POPULAR: CAVACO SILVA

O Presidente da República é o político mais popular. Numa escala de 0 a 20, os portugueses atribuíram 15,6 à actuação do Chefe de Estado, que conquistou assim a sua nota mais alta

AGRICULTURA: JAIME SILVA

No espaço de um ano, o ministro da Agricultura, Jaime Silva, nunca conseguiu obter uma nota positiva. Resultados que reflectem o descontentamento dos agricultores

FINANÇAS: TEIXEIRA DOS SANTOS 

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, chegou a alcançar o topo da popularidade, mas em Fevereiro perdeu o primeiro lugar para o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado

POPULARIDADE

MAIS POPULARES no mês de Julho

Ana Jorge, ministra da Saúde

2008: 9,5

2009: 12,0

Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros

2008: 10,8

2009: 11,2

Teixeira dos Santos, ministro das Finanças

2008: 10,6

2009: 11,0

José Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Solidariedade Social

2008: 10,3

2009: 10,5

Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

2008: 10,2

2009: 10,2

MENOS POPULARES

Alberto Costa, ministro da Justiça

2008: 10,0

2009: 9,8

Manuel Pinho, ministro da Economia e Inovação

2008: 9,8

2009: 9,4

Jaime Silva, ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas

2008: 8,7

2009: 8,5

Lurdes Rodrigues, ministra da Educação

2008: 9,2

2009: 8,5

Mário Lino, ministro das Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações

2008: 9,5

2009: 8,4

FICHA TÉCNICA

Objectivo: Popularidade dos Ministros. Universo: Indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidores de telemóvel Amostra Aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo. Foi extraída de um subuniverso obtido de forma idêntica. A amostra contou com 749 entrevistas efectivas: 339 a homens e 410 a mulheres; 192 no Interior, 265 no Litoral Norte e 292 no Litoral Centro Sul; 225 em aldeias, 230 em vilas e 294 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral. Técnica: Entrevista telefónica por CATI (Computer Assisted TelephonicInterview) Trabalho de campo Decorreu entre os dias 1, 2, 3 e 6 de Julho de 2009, com uma taxa de resposta de 68,3%. Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 749 entrevistas, o desvio-padrão máximo de uma proporção é 0,018 (ou seja, uma margem de erro - a 95% - de 3,60%). Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e João Queiroz.

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