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Política
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António Costa admite que Governo negociou e tentou aprovar Orçamento até "ao último minuto"

Primeiro-ministro diz que fez "tudo o que estava ao alcance" para que o Orçamento do Estado para 2022 tivesse sido aprovado.
Correio da Manhã 8 de Novembro de 2021 às 21:18
Primeiro-ministro, António Costa
Primeiro-ministro, António Costa FOTO: Pedro Nunes / Reuters

António Costa afirmou esta segunda-feira que o governo fez "tudo o que estava ao alcance" para que o Orçamento do Estado para 2022 tivesse sido aprovado e que o governo foi "ao limite" nas negociações, tentando que a proposta orçamental fosse aprovada até "ao último minuto".

O primeiro-ministro falou em entrevista à RTP, a primeira desde o chumbo do Orçamento para 2022, que levou o Presidente da República a dissolver o parlamento e a convocar eleições legislativas antecipadas para 30 de janeiro de 2022.

António Costa destacou que a atualização do salário mínimo nacional para 705 euros foi um dos pontos-chave que bloqueou a aprovação do Orçamento do Estado para o partido comunista. O primeiro-ministro disse que o PCP foi pouco realista nas suas exigências quanto ao salário mínimo, uma vez que pedia ao governo uma subida maior este ano do que foi nos últimos quatro anos de legislatura.

Questionado sobre as matérias que o governo pode legislar, Costa disse que fará "tudo o que é normal para aumentar o salário mínimo" mas que ainda vai negociar com a concertação social. Já quanto ao aumento extraordinário das pensões que estava proposto no orçamento chumbado, o primeiro-ministro explica que neste momento "o governo tem legitimidade política limitada", pelo que os aumentos extraordinários serão aplicados de forma retroativa a partir de 1 de janeiro caso ganhe as eleições.

Quanto às eleições legislativas antecipadas, António Costa garante que a principal ambição do partido socialista é conseguir maioria absoluta para garantir a estabilidade política em Portugal. "O referencial de estabilidade é o PS", garante, apelando a uma "solução estável" aos portugueses.

No entanto, o primeiro-ministro não fecha a porta a novos entendimentos à esquerda, colocando a hipótese de uma nova versão da geringonça caso não seja possível uma maioria absoluta para o partido socialista e os parceiros à esquerda mudem a atitude.  

O primeiro-ministro afirmou ainda que se recandidata à liderança do PS em 2023, se vencer as próximas eleições legislativas. Contudo, terminará as funções como secretário-geral se perder as eleições, já que considera que se abrirá então um novo ciclo político.

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