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Correio da Manhã

Política
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António Costa critica Bloco de Esquerda e quebra 'geringonça'

Primeiro-ministro insiste num “reforço claro do PS” nas eleições marcadas para 06 de outubro.
Wilson Ledo 25 de Agosto de 2019 às 01:30
António Costa
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A cerca de mês e meio das eleições, Costa admite - caso vença as Legislativas sem maioria absoluta - colocar um ponto final na geringonça e governar noutros cenários, incluindo em minoria e sem acordos assinados.

É, pelo menos, isso que deixa entender na entrevista que concedeu ao ‘Expresso’, nomeadamente nas críticas dirigidas ao BE, reveladoras da fragilidade em que se move a atual aliança com os partidos à esquerda.

Defendendo um "reforço claro do PS", Costa lembra que "um cenário à espanhola, com um PS fraco e o nosso Podemos forte, seguramente inviabilizaria a estabilidade política", numa alusão direta ao BE. O líder socialista diz, ainda, que o partido de Catarina Martins "vive na angústia de ser notícia todos os dias".

Já em relação ao PCP, o discurso é bem mais contido. Elogia a "maturidade institucional" dos comunistas e diz que "é muito fácil trabalhar com eles".
Apesar de reconhecer que "sem o apoio de PCP e Bloco de Esquerda" não teria havido Governo, Costa não descarta agora ir à procura de novos parceiros, como o PAN, após conhecer o resultado a 6 de outubro. "Na noite das eleições veremos qual é o cenário", referiu.

No plano económico, o chefe do Governo compara Portugal a uma "aldeia do Astérix da estabilidade" e promete seguir um percurso de "rigor" nas contas públicas, não descartando novas baixas de impostos.

Quanto à oposição de Rui Rio, Costa diz não estar preocupado e classifica o programa eleitoral do PSD como um "mau exemplo", porque promete "tudo a todos". Prevê ainda que o "resultado eleitoral do Dr. Rui Rio fique aquém do resultado do Dr. Passos Coelho".

Sobre o impacto da polémica das relações familiares do Governo na campanha eleitoral que se avizinha, António Costa admite que a questão é "seguramente um passivo".

Primeiro-ministro ganha menos do que há 19 anos
Foi durante a mudança de casa que António Costa descobriu que, atualmente, enquanto primeiro-ministro, ganha menos do quem em 2000, quando era ministro das Justiça. "Levava líquido para casa mais do que 19 anos depois levo como primeiro-ministro", afirmou ao ‘Expresso’.

António Costa mostrou-se favorável a devolver, na próxima legislatura, o corte de 5% nos vencimentos de titulares de cargos políticos.

Marisa e Catarina lamentam altura para "caricaturas"
Foi a eurodeputada Marisa Matias a primeira figura do BE a reagir às críticas de Costa.

"Enquanto precisou de parceiros para ser Governo, nunca fez caricaturas de mau gosto", reagiu no Twitter. Antes, Catarina Martins tinha avisado que o "desejo de uma maioria absoluta pode levar à arrogância e à tentação de fazer caricaturas" e pedia respeito pelas diferenças.

No programa eleitoral, o Bloco define-se como o partido que "quer e pode impedir uma maioria absoluta" do PS.

"Paciência revolucionária" para poder negociar
Mesmo antes de ser publicada a entrevista a António Costa, já o líder comunista dizia que foi preciso uma "paciência revolucionária" para lidar com os avanços e recuos dos socialistas durante esta legislatura.

À Lusa, Jerónimo de Sousa reconheceu que o primeiro-ministro atuou no sentido de resolver os problemas do País, elogiando o "sentido de perspicácia e de inteligência" do socialista.
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