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Correio da Manhã

Política
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Primeiro-ministro quer Índia e Brasil no Conselho de Segurança da ONU

António Costa discursou pela primeira vez na Assembleia-Geral, onde expressou apoio a Guterres.
Lusa 20 de Setembro de 2017 às 19:55
António Costa a discursar nas Nações Unidas
António Costa a discursar nas Nações Unidas
António Costa a discursar nas Nações Unidas
António Costa a discursar nas Nações Unidas
António Costa a discursar nas Nações Unidas
António Costa a discursar nas Nações Unidas
António Costa a discursar nas Nações Unidas
António Costa a discursar nas Nações Unidas
António Costa a discursar nas Nações Unidas
O primeiro-ministro defendeu esta quarta-feira uma reforma do Conselho de Segurança, alargando-o a países como o Brasil e a Índia, e frisou que permanece o desígnio de o português figurar entre as línguas oficiais das Nações Unidas.

Estas posições foram assumidas pelo líder do executivo português no seu discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

António Costa começou por aludir à recente resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a cooperação entre a ONU e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), "que visa precisamente fortalecer as complementaridades entre as duas organizações".

"E aproveito para referir a importância da língua portuguesa, que se afirma hoje como um instrumento de comunicação com dimensão global. Em meados deste século, o português deverá contar com quase 400 milhões de falantes, o que tem justificado a sua elevação a língua oficial em diversos organismos internacionais. A adoção do português como língua oficial das Nações Unidas permanece um desígnio comum dos Estados Membros da CPLP", salientou o primeiro-ministro.

No plano político, António Costa defendeu também a reforma do Conselho de Segurança, "para lhe assegurar uma representatividade acrescida do mundo atual".

"O continente africano não pode deixar de ter uma presença permanente, e o Brasil e a Índia são dois exemplos incontornáveis. Por outro lado, a complexidade dos problemas globais que hoje enfrentamos impõe a necessidade de cultivar as parcerias, envolvendo não apenas os Estados, mas também as sociedades civis, as instituições financeiras internacionais, as entidades públicas e privadas", advogou.

Discurso contra a pena de morte
O líder do executivo português referiu que este ano está a ser comemorado no país os 150 anos sobre a abolição da pena de morte em Portugal, advogando então "uma diplomacia pelos direitos humanos".

"Os direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais são, para nós, indissociáveis e interdependentes. A sua aplicação é universal, no sentido em que não dependem do espaço, nem da história, nem da matriz religiosa ou civilizacional de cada sociedade", afirmou.

Além de reafirmar a defesa da tese sobre o caráter universal dos Direitos Humanos, o primeiro-ministro avisou que Portugal se irá empenhar na luta contra a pena de morte.

"Fomos pioneiros neste combate e continuaremos a bater-nos pela abolição universal da pena capital", disse, antes de se referir a outro tema prioritário da sua política externa, o dos refugiados - um ponto em que elogiou a ação do antigo Presidente da República Jorge Sampaio.

"É nossa obrigação moral proteger e promover os direitos daqueles que, como tantos outros antes deles, têm que deixar os seus lares e as suas famílias em busca de segurança e de um futuro melhor. Destaco, neste âmbito, o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Plataforma Global de Apoio aos Estudantes Sírios, uma iniciativa de Jorge Sampaio. Trata-se de garantir o direito à educação superior para aqueles jovens sírios que, por causa do conflito no seu país, se viram privados desse direito universal", referiu António Costa.

Em defesa do planeta
Outro ponto desenvolvido no discurso de António Costa relacionou-se com a matéria ambiental, em que de defendeu a preservação do Acordo de Partis.

"Proteger e preservar o planeta é cultivar a paz e prevenir potenciais novos conflitos provocados pela concorrência no acesso a recursos decrescentes. Neste capítulo, o Acordo de Paris é um marco na redução dos impactos das alterações climáticas. Não podemos prescindir deste instrumento universal para atingirmos os objetivos do pilar ambiental da Agenda 2030", acentuou.

António Costa salientou depois que Portugal, pela sua parte, "cumprirá o compromisso voluntário da União Europeia de reduzir, até 2030, 40 por cento das emissões de gases de efeito de estufa, em comparação com valores de 1990".

Ainda segundo o primeiro-ministro, haverá "um contributo de dois milhões de euros para o Fundo Verde do Clima".

Apoio aos planos de Guterres
António Costa dirigiu palavras de apreço ao secretário-Geral da Onu, António Guterres de quem foi ministro no Governo de Portugal. "É com profunda emoção que me dirijo hoje à Assembleia dos Povos' na presença do primeiro secretário-geral das Nações Unidas português. Diante de si reafirmo, solenemente, o compromisso de Portugal com as Nações Unidas e o multilateralismo, assente no primado do Direito Internacional e nos princípios e valores da Carta. As suas prioridades, senhor secretário-geral, são as nossas prioridades", declarou António Costa, que foi secretário de Estado e ministro da Justiça dos governos liderados por Guterres.

De acordo com o atual primeiro-ministro, a política externa e a agenda de António Guterres coincidem na vontade de existirem umas Nações Unidas "mais fortes, solidárias, capazes de prevenir os conflitos, aliviar o sofrimento humano e promover a paz e a prosperidade".

"E umas Nações Unidas mais transparentes, mais eficazes, mais adaptáveis a um mundo em constante mutação. Saudamos e apoiamos o dinamismo que, desde o início do seu mandato, incutiu à reforma do sistema das Nações Unidas para que este possa cumprir melhor os seus nobres desígnios. É que só as Nações Unidas dispõem da vocação universal e dos atributos essenciais para, com os Estados-membros, responderem aos desafios, cada vez mais complexos, do nosso tempo", sustentou o líder do executivo português.

Em relação aos conflitos com a Coreia do Norte, entre israelitas e palestinianos, na Líbia e na Síria, António Costa voltou a manifestar apoio à "bandeira da diplomacia para a paz" adotada por António Guterres e sustentou que a via para a sua resolução tem de ser política e diplomática - capítulo do seu discurso em que também caraterizou o terrorismo como "uma ameaça global".

"Portugal condena firme e inequivocamente todos os atos terroristas; sublinha a importância da vertente da prevenção e da luta contra a radicalização, o extremismo violento e o recrutamento; e participa ativamente no combate ao terrorismo, designadamente no quadro da coligação global contra o Daesh, congratulando-se com os sucessos militares conseguidos no Iraque, ao longo do último ano", disse.

Portugal, segundo António Costa, "tem como uma das prioridades mais claras da sua política externa a participação nas operações de paz e de capacitação institucional realizadas no âmbito das Nações Unidas".

"Esta verba está destinada à adaptação das alterações climáticas nos países em desenvolvimento e é proveniente do Fundo Português do Carbono. A Agenda 2030, dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, é a mais poderosa referência da nossa ação multilateral em prol dos direitos das pessoas, da qualidade de vida das populações e do futuro do planeta. Portugal faz seus estes objetivos, que nos guiam quer na nossa política interna, quer na nossa política externa e de cooperação", acrescentou.
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