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Correio da Manhã

Política
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António José Seguro: "Há duas maneiras diferentes de governar o país"

O secretário-geral do PS desdramatizou hoje as consequências do desacordo com o Governo sobre o Documento de Estratégia Orçamental (2012/2016), contrapondo que é bom que se saiba que há duas maneiras diferentes de governar Portugal.
26 de Maio de 2012 às 12:40
António José Seguro, PS, Governo
António José Seguro, PS, Governo FOTO: Lusa

António José Seguro falava na Comissão Nacional do PS, na abertura da discussão do ponto dedicado à análise da situação política, numa alusão ao facto de a maioria PSD/CDS ter reprovado na sexta-feira, no Parlamento, a resolução dos socialistas que defendia a reavaliação do Documento de Estratégia Orçamental.

"Houve muita gente que disse que o consenso [europeu, entre PS e Governo], afinal, não durou mais do que dois dias, mas o consenso não é um ato de automatismo, construindo-se antes a partir do respeito por posições diferentes", disse.

Na questão do Documento de Estratégia Orçamental, António José Seguro disse não ver qualquer drama por o PS ter também votado contra a resolução da maioria PSD/CDS de apoio a este documento do Governo.

"Os objectivos do memorando [de assistência financeira a Portugal] não estão em causa, o PS continuará a cumpri-los e a honrá-los. Depois, entendo que é bom para Portugal que os portugueses saibam que há duas maneiras e duas alternativas de governar o país", sustentou.

Numa justificação sobre a forma como o PS actuou em relação ao Documento de Estratégia Orçamental, Seguro voltou a criticar os procedimentos políticos seguidos pelo Governo.

"O Governo elaborou um documento que vai para além do período de vigência do Programa Económico de Assistência Financeira a Portugal e que vai inclusivamente para além da legislatura. O Governo elaborou esse documento sem ouvir o PS. Enviou-o para Bruxelas sem discuti-lo primeiro no Parlamento", referiu, fazendo depois alusão às críticas que o PSD fez no ano passado ao executivo de José Sócrates a propósito do PEC IV (Programa de Estabilidade e Crescimento).

"Esqueceram-se disso rapidamente", comentou o secretário-geral do PS, numa crítica aos sociais-democratas, antes de defender que "era um dever patriótico do Governo procurar o diálogo com o principal partido da oposição" em torno do Documento de Estratégia Orçamental.

Depois, António José Seguro deixou um recado ao Governo e, em particular, ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho: "O PS está disponível para todos os consensos - e não é preciso estarem no memorando".

"Se houver necessidade de um consenso na justiça para que a justiça funcione melhor, cá estaremos. Mas há uma diferença, porque uma coisa é o consenso e outra coisa é obediência. O PS só obedece aos seus valores e princípios em defesa do interesse nacional", disse, recebendo uma salva de palmas.

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