PSD, CDS e PAN votaram a favor.
O parlamento madeirense aprovou esta quinta-feira o Programa do XV Governo Regional, com 22 votos favoráveis do PSD, do CDS-PP e do PAN, 21 votos contra do PS, do JPP e de uma deputada do Chega, e quatro abstenções do Chega e da IL.
A viabilização do documento apresentado pelo executivo social-democrata saído das eleições regionais de 26 de maio chegou a estar em risco, uma vez que o Chega indicou inicialmente o voto contra o documento, tal como o PS e o JPP. Juntos, os três partidos teriam 24 deputados, o que constitui uma maioria absoluta.
A deputada do Chega Magna Costa votou contra a proposta depois de o líder regional do partido, Miguel Castro, ter referido que não havia liberdade de voto.
Esta é a primeira legislatura na história da democracia madeirense em que o PSD não tem maioria absoluta sozinho ou com outras forças. O partido, com 19 eleitos, tem um acordo parlamentar com o CDS que lhe permite o apoio de mais dois deputados.
Na sessão de encerramento do debate, o deputado e líder do PS/Madeira, Paulo Cafôfo, justificou o voto contra afirmando que não estava em causa o Programa, mas uma moção de confiança ao executivo de Miguel Albuquerque, que, disse, dá "provas, todos os dias, de que não é capaz de governar".
"Está esgotado, sem credibilidade, apenas empenhado na trica política e em manter o poder a todo o custo para, assim, evitar responder à justiça", declarou, sublinhando que a população insular continua "sem respostas" para vários problemas.
Paulo Cafôfo afirmou que o PS, o maior partido da oposição madeirense, que não participou nas negociações para a elaboração da segunda proposta de Programa do Governo, "estará sempre do lado da solução", mas esclareceu que "a solução não passa por dar a mão a quem há muito virou as costas aos madeirenses e porto-santenses".
"Por isso, não participamos em encenações, muito menos em negociações para encobrir mentiras e entrar em jogos políticos que envergonharam e saturaram os madeirenses e os porto-santenses", disse, para depois reforçar: "Perante isto, fica muito claro que não estão reunidas quaisquer condições para que o PS vote a favor da moção de confiança."
Quanto ao líder do JPP, Élvio Sousa, cuja bancada é composta por nove deputados, opinou que a proposta "não passou de apenas palavras em compromissos cronológicos", comparando-a a uma "caderneta de cromos colados com cola de farinha e água que pode ser descolada e colada" de acordo com as conveniências do executivo.
Declarando "não confiar na palavra" do Governo Regional e considerando que não foi cumprida nos anteriores programas, o deputado disse que a proposta hoje discutida é uma "cópia mal feita", pelo que Albuquerque não podia pedir ao partido para ser "fiador e cúmplice" quando esteve ausente nas negociações.
Da parte do Chega, Miguel Castro deixou claro que o voto da bancada parlamentar, composta por quatro deputados, iria depender do facto de Miguel Albuquerque "reconhecer e assumir publicamente" que abandonará todos os cargos públicos caso o Ministério Público o acuse no processo que investiga suspeitas de corrupção no arquipélago, no qual foi constituído arguido.
Esta foi uma das condições impostas pelo partido para viabilizar a segunda proposta de Programa do Governo. "Da sua resposta vai depender o voto do Chega", alertou.
Mais tarde, na intervenção final, Miguel Albuquerque declarou que quem vai determinar o seu futuro em termos de investigação judicial é o promotor público e que nunca rejeitou assumir as suas responsabilidades.
Miguel Castro considerou, no entanto, que o governo, liderado por Albuquerque desde 2015, está "desgastado e esgotado", e que o ambiente na Assembleia Legislativa "nunca foi tão tenso" como neste momento.
Pelo CDS-PP, Sara Madalena referiu que quem não aprovasse o Programa queria "prolongar a crise política" na Madeira, apelando ao "sentido de responsabilidade e à priorização do interesse regional" para acabar com a "prolongada indefinição", porque os "madeirenses estão cansados" desta situação.
Já o deputado único da IL, Nuno Morna, justificou a abstenção como "a melhor estratégia para evitar que o governo se vitimize", sublinhando, no entanto, que também deve ser "entendida como um claro não" à liderança de Albuquerque, que acusou de ter "tiques de autoritarismo".
Nuno Morna sublinhou que a abstenção da IL constitui, por outro lado, um "firme sim" à estabilidade na região, mas considerou que a nova versão do Programa é uma "ode à omissão", composta por "promessas vagas e otimismo desmedido", apesar de contemplar várias propostas de outros partidos.
A deputada única do PAN, Mónica Freitas, destacou que o partido é "o segundo com mais medidas incluídas no Programa", considerando estar em causa "uma moção de confiança a um governo que tem um presidente constituído arguido", mas eleito pelos madeirenses.
No seu entender, a viabilização do documento é um voto de confiança, mas "é também exigir deste governo que cumpra os compromissos que assumiu e que, orçamento a orçamento, tenha a capacidade de dialogar e de tirar o melhor de cada partido em prol da população".
Mónica Freitas destacou que "o voto do PAN não é um voto nem no PSD nem neste governo, é um voto que permite avançar com as 86 medidas PAN".
Já da parte da bancada do PSD, partido que sustenta o Governo Regional minoritário de Miguel Albuquerque, o deputado Jaime Filipe Ramos sublinhou o "momento decisivo na vida" do arquipélago, destacando ser necessário "respeitar a vontade do povo e saber dialogar, ceder e avançar", bem como "repor a normalidade e o poder de governar".
"Este é o momento da verdade, não da agenda pessoal e partidária", declarou.
Jaime Filipe Ramos elogiou, por isso, a disponibilidade de Chega, IL, PAN e CDS-PP em negociar o novo Programa e acusou PS e JPP de constituírem uma "coligação negacionista", por se recusarem a participar nas reuniões.
"Este é e será o Programa do Governo mais democrático e plural alguma vez discutido neste parlamento", afirmou.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.