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Correio da Manhã

Política
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Arguido recusa assumir suborno

João Cabral e José Manuel Marques terão dito aos investigadores do caso Freeport que houve pagamento de luvas a políticos para o licenciamento do outlet de Alcochete. No entanto, o CM sabe que nenhum deles o assumiu formalmente nos autos, recusando depor com medo de eventuais processos de difamação que poderiam ser interpostos após o arquivamento relativamente ao envolvimento dos políticos.
24 de Outubro de 2009 às 00:30
José Manuel Marques, do ICN, não assumiu suborno no processo
José Manuel Marques, do ICN, não assumiu suborno no processo FOTO: NATÁLIA FERRAZ

Mesmo assim, os investigadores têm tentado que as acusações sejam formalizadas. Só isso permitiria avançar com uma eventual acusação contra alguns dos responsáveis políticos, já que o DVD onde é audível Charles Smith falar de pagamento de comissões está longe de ser suficiente para a formalização de qualquer acusação.

O facto de as autoridades não terem encontrado o destino final do dinheiro é também indiciador do arquivamento que se aproxima, relativamente aos eventuais receptores dos subornos.

Refira-se, ainda, que o processo está repleto de acusações de comissões, mas nenhuma é sustentada. A assessora de Manuel Pedro, por exemplo, disse-o em 2004, quando garantia ter ouvido a conversa entre João Cabral e o seu ‘patrão’. Garantia mesmo ter escutado um desabafo, onde aqueles diziam que até que eles [os ingleses] se apercebessem do destino das verbas já o dinheiro tinha sido distribuído pelos interessados e as provas destruídas.

A mesma testemunha referia ainda que a cumplicidade de Manuel Pedro com alguns autarcas era igualmente suspeita. E nomeava dois casos: o presidente da Câmara de Alcochete e o do Montijo. Relativamente ao primeiro (José Inocêncio, entretanto constituído arguido), Manuel Pedro gabava-se de o ter ajudado nos períodos eleitorais. E na altura do licenciamento do Freeport não percebia o porquê de ele estar a levantar o problema dos ‘esgotos’, já que o projecto estava ‘previamente’ aprovado.

Outro pormenor importante no mesmo depoimento: a ex-assessora da Pedro&Smith garantia ter assistido a uma operação de destruição de provas, designadamente do sistema informático.

ASSESSORA OUVIU FALAR EM 500 MIL EM COMISSÕES

A assessora de Manuel Pedro garantiu à PJ em 2004 que durante o processo de licenciamento houve pagamento de avultadas comissões. A testemunha disse que ouviu várias conversas que confirmam essa tese e recorda mesmo uma delas, entre Manuel Pedro e João Cabral, o primeiro da empresa promotora, o segundo com ligações à empresa Freeport, em que era dito ao segundo para "se desenrascar". Aí, a comissão falada era de 400 mil, a que acresciam cem mil euros que a testemunha não conseguiu precisar a quem se destinava.

PORMENORES

TRÊS DIAS ANTES

O projecto foi aprovado a três dias de o PS perder as eleições, a 14 de Março de 2002.

FAX DIVULGADO

A TVI divulgou esta semana um fax atribuído a um administrador do Freeport em Portugal, que tem umas anotações manuscritas onde se fala de um suborno de dois milhões de libras.

PRIORIDADE

A PGR e a PJ dão prioridade a este caso e criaram equipa que só investiga o processo Freeport.

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