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Correio da Manhã

Política
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As reações dos partidos à ameaça de António Costa

Primeiro-ministro garantiu a demissão do Governo se diploma dos professores for aprovado.
3 de Maio de 2019 às 18:12
António Costa ameaça demitir-se caso o diploma dos professores seja aprovado
João Oliveira, PCP
Catarina Martins, BE
António Costa ameaça demitir-se caso o diploma dos professores seja aprovado
António Costa ameaça demitir-se caso o diploma dos professores seja aprovado
João Oliveira, PCP
Catarina Martins, BE
António Costa ameaça demitir-se caso o diploma dos professores seja aprovado
António Costa ameaça demitir-se caso o diploma dos professores seja aprovado
João Oliveira, PCP
Catarina Martins, BE
António Costa ameaça demitir-se caso o diploma dos professores seja aprovado
O primeiro-ministro, António Costa, ameaçou demitir-se esta sexta-feira caso o diploma dos professores seja aprovado, numa declaração ao País depois de reunir com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na sequência da aprovação no parlamento da contabilização total do tempo de serviço congelado aos professores. 

PCP recua e afirma que "números do Governo são fictícios"
Após a ameaça do primeiro-ministro, João Oliveira, líder parlamentar do PCP já reagiu garantido não ceder à "chantafem do Governo" e contrariando ainda as declarações de António Costa. 

"As propostas ontem [quinta-feira] aprovadas não têm qualquer impacto orçamental em 2019", afirmou o deputado, acrescentando que "o PCP não aceita chantagens e ultimatos". 

João Oliveira foi mais longe e afirmou que "o Governo não tem base de sustentação para as previsões orçamentais que tem feito" e que os valores apresentados por Costa "são números fictícios".

Jerónimo de Sousa considerou "estranho" que o "Governo por cautelismo político avance com uma pressão inaceitável".

"Vamos manter a nossa proposta e o nosso empenhamento para que [a lei] seja aprovada. O nosso compromisso não é com o PS é com os trabalhadores e com o povo", sublinhou Jerónimo de Sousa aos jornalistas.

"Continuamos a achar que é possível alcançar esse objetivo" conclui o deputado do PCP sobre a devolução do tempo de serviço dos professores. 

Catarina Martins garante que não haverá custos adicionais e mantém posição
Já Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, sublinhou que "a proposta do Governo fazia desaparecer da carreira dos professores a maior parte do tempo congelado". A coordenadora do BE afirma ainda que mantém a sua posição. 

"Não devemos deitar a toalha ao chão e desistir deste caminho", afirmou Catarina Martins, acrescentando que "não há qualquer despesa adicional" nem mudança orçamental. 

"Pedimos várias vezes dados que o Governo nunca forneceu", disse ainda Catarina Martins.

A coordenadora do BE criticou a precipitação do "ultimato do Governo à direita" ao trazer uma "instabilidade política dispensável", considerando "triste e errado" dar-se a PSD e CDS-PP "o prémio" de decidir se a legislatura chega ao fim.

"A direita sempre disse que os acordos à esquerda seriam um fogacho e não chegariam ao fim da legislatura. Dar agora, a essa mesma direita, o prémio de decidir se a atual solução política cumpre ou não a legislatura até ao fim é triste e é errado", condenou. 

Em conclusão a coordenadora do BE afirma que "este ultimato é uma precipitação" e que não foi votado nada que vá além do orçamento previsto.

PEV fala em chantagem e mantém sentido de voto sobre tempo de serviço dos professores 
O Partido Ecologista 'Os Verdes' (PEV) diz que não pretende alterar o sentido de voto relativamente à contabilização total do tempo de serviço dos professores e classificou a declaração do primeiro-ministro ao país como "chantagem".

"Relativamente a esta chantagem, que não tem outro nome, que o senhor primeiro-ministro hoje veio fazer, eu quero dizer que 'Os Verdes' consideram que é absolutamente inadmissível, é inaceitável esta forma como o Governo procura agora condicionar a Assembleia da República", afirmou a deputada Heloísa Apolónia, numa declaração aos jornalistas no parlamento, em Lisboa.

O PEV considerou que António Costa recorreu a uma "injusta chantagem" e "nem falou verdade nas declarações que fez, quando fala do impacto, designadamente, para o ano de 2019 das propostas que foram apresentadas", dado que estas propostas "não têm qualquer impacto orçamental ao nível do ano de 2019".

Assunção Cristas afirma que o Governo não tem condições para governar
"O primeiro-ministro é que tem um problema para resolver". Foi desta forma que Assunção Cristas respondeu às acusações de António Costa de incoerência. 

A líder do CDS sublinha que o Governo não tem condições para governar e que essa opinião do partido não é novidade. Cristas acusa ainda o primeiro-ministro de não ter apresentado contas verdadeiras e que o diploma de devolução do tempo de serviço aos professores "não põe em causa as contas públicas". 

"A nossa posição é coerente, é responsável, é honesta", sublinha a líder do CDS. 

Cristas acusa ainda Costa de ser ele o "incoerente".


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