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Correio da Manhã

Política

Assis critica PS por "colagens excessivas" a Belém

Francisco Assis, ex-líder parlamentar socialista, advertiu esta quinta-feira contra "colagens excessivas" de dirigentes do PS em relação às intervenções do Presidente da República, considerando que essa opção "subalterniza" o papel político do seu partido enquanto oposição.
5 de Janeiro de 2012 às 08:27
Francisco Assis perdeu eleições no PS para António José Seguro
Francisco Assis perdeu eleições no PS para António José Seguro FOTO: d.r.

A posição de Francisco Assis sobre o relacionamento entre o PS e o chefe de Estado, Cavaco Silva, foi transmitida à Agência Lusa e consta também num artigo da sua autoria que é publicado no jornal "Público".

"Compreendo que haja uma apreciação positiva em relação a algumas das preocupações que têm sido apontadas pelo Presidente da República, mas parece-me essencial que não se caia na tentação e na fantasia absoluta de se pensar que há no Palácio de Belém uma espécie de aliado ideológico e doutrinário do PS, porque não se trata de nada disso. É errado pensar-se que há agora um Governo liberal [PSD/CDS] e que há uma frente social-democrata que começa em Belém e que envolve uma parte substancial da esquerda portuguesa, porque isso não é verdade", defendeu Francisco Assis.

Para o candidato derrotado à liderança do PS, Cavaco Silva "é um tecnocrata competente, dotado de intuição política e que fez todo o seu percurso político nessa base, aliás, com grande sucesso".

Uma confusão feita pelos socialistas sobre o actual papel político do chefe de Estado - advertiu Francisco Assis -- "poderia levar a que o PS fosse subalternizado na sua função de oposição" ao Governo.

"Podemos saudar algumas posições do Presidente da República, mas não podemos confundir os planos, até porque parte do processo de afastamento de Cavaco Silva em relação ao Governo resulta da própria mecânica do sistema político, que o favorece, como se viu na relação de outros presidentes da República com outros governos", sustentou.

Segundo o ex-líder parlamentar do PS, o seu partido "não deve conceber qualquer aproximação doutrinária, programática e política na base da sua relação com o Presidente da República".

Nesse sentido, "uma excessiva colagem pública de altos dirigentes do PS em relação a declarações do Presidente da República tem de ser devidamente ponderada", disse.

Nos últimos dias, José Luís Carneiro, membro do Secretariado Nacional do PS e seu antigo chefe de gabinete, falando em nome da direção deste partido, manifestou-se de acordo e elogiou o teor da mensagem de ano novo proferida domingo pelo Presidente da República.

Francisco Assis considerou que José Luís Carneiro "fez um comentário correcto" sobre a intervenção do Presidente da República.

"Mas estou contra leituras errada que daí podem ser projetadas. É evidente que o Presidente da República tudo tem feito para assegurar uma separação clara em relação ao Governo, mas isso não resulta de uma divergência programática. Isso resulta da mecânica do sistema político e da forma como o Presidente da República entende que deve desempenhar o seu papel, afastando-se e recuperando alguma autonomia", contrapôs Francisco Assis.

PS Cavaco Belém Oposição
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