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Correio da Manhã

Política

Assistência só para operacionais

O Hospital da Força Aérea está sem capacidade para responder a todos os militares, por isso aconselhou reservistas e reformados a recorrerem ao Serviço Nacional de Saúde. Esta situação gerou indignação e revolta entre os profissionais das Forças Armadas, que realizam amanhã um cordão humano de protesto face à "destruição da condição militar".

23 de Junho de 2008 às 00:30
General Luís Araújo respondeu a carta de militar reformado indignado
General Luís Araújo respondeu a carta de militar reformado indignado FOTO: João Miguel Rodrigues

"O serviço de Saúde da Força Aérea tem recursos escassos, que se encontram afectos ao cumprimento da missão primária", escreveu o chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), Luís Araújo, num e-mail remetido pelo seu chefe de Relações Públicas, António Seabra, a Carlos Nuno, um militar na reforma indignado com a falta de resposta do Hospital às necessidades dos utentes.

O CEMFA esclareceu que a "missão primária dos serviços de Saúde é assegurar o apoio sanitário ao pessoal empenhado no cumprimento da missão da Força Aérea [...] sendo apenas a capacidade sobrante afecta à vertente assistencial". Expressão que causou revolta entre os militares, que recusam "ser as sobras depois de terem prometido a vida pela Pátria".

Contactado pelo Correio da Manhã, António Seabra assegurou que "a Força Aérea tudo faz para garantir assistência a todos" e que se trata de uma questão de "prioridade", considerando "abusiva" qualquer interpretação no sentido de "haver uma exclusão de beneficiários".

"É UMA EXPRESSÃO TRISTE"

O presidente da Associação Nacional de Sargentos, António Lima Coelho, mostrou-se ontem indignado com a expressão "capacidade sobrante" utilizada pelo chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Luís Araújo, para se referir aos militares na reserva e na reforma. "Quer dizer que os militares, que prometeram dar a vida pela Pátria, ficam com maleitas derivadas do serviço militar e deixam de ser úteis para passarem a ser capacidade sobrante? É uma expressão triste, que nunca deveria ter sido utilizada", afirmou ao Correio da Manhã António Lima Coelho.

As associações Nacional de Sargentos e de Praças da Armada estão solidárias com o cordão humano promovido por três militares na reforma, que vai ser realizado amanhã às 18h30 junto ao Hospital Militar Principal, em Lisboa, em protesto contra a degradação do sistema de saúde militar.

PORMENORES

SAÚDE

O chefe do Estado-Maior da Força Aérea recorda na carta que "todos os beneficiários dos serviços de Saúde da Força Aérea devem complementar o leque de meios assistenciais recorrendo [...] ao Serviço Nacional de Saúde".

PROCESSO DISCIPLINAR

A Força Aérea instaurou um processo disciplinar a Luís Alves de Fraga, coronel reformado do ramo, por críticas às "longas filas" de militares que querem marcar consultas no hospital. O processo foi arquivado.

HOSPITAL ÚNICO

O Governo pretende concentrar os seis hospitais militares num único para racionalizar recursos e cortar nas despesas. A proposta não convenceu as chefias militares, que consideraram que ficou esquecida a componente operacional das Forças Armadas.

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