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Correio da Manhã

Política
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Assunção Cristas em entrevista ao CM: “Há deputados que ou vão para o CDS ou para a esquerda”

Líder do CDS-PP respondeu às questões de Octávio Ribeiro, diretor-geral do CM e da CMTV.
Diana Ramos e Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 18 de Setembro de 2019 às 01:30
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Líder do CDS-PP respondeu às questões de Octávio Ribeiro, diretor-geral do CM e da CMTV.
A líder do CDS evita falar sobre a queda dos centristas nos últimos meses. Assunção Cristas está mais focada em alertar para o risco de um Parlamento à esquerda.

- Nas autárquicas conseguiu 20% em Lisboa, era a voz mais incómoda para o PS na AR. O que se passou para as sondagens só lhe darem 6% a 7%?
Assunção Cristas – Para o CDS interessa sobretudo a sondagem do dia das eleições. Estamos a começar a campanha e este é o tempo para explicar às pessoas o que pretende o CDS. Cada eleição é uma eleição.

- Tomava a mesma decisão em relação aos professores?
- Esse foi o momento em que não conseguimos explicar o queríamos. Fomos penalizados e assumi esse erro. Importante agora é explicar o que queremos para cada um dos setores e que não faz sentido um país inclinado excessivamente para a esquerda.

A verdade é que, se considerarmos o que dizem as sondagens, podemos ter o risco de ter um Parlamento 2/3 à esquerda e isso significa que o Presidente não vai poder vetar diplomas importantes. Com uma maioria de 2/3 [o veto] seria rapidamente ultrapassado.

- O risco para que alerta é muito mitigado...
- E é minha missão contrariá-lo. Vejo pessoas do centro-direita que assumem que o PS ganhou e que acham que não vale a pena votar.

Não é verdade, o voto faz sempre sentido. Em democracia não há vencedores nem vencidos antecipados. E a composição da AR é muito importante para o que se pode fazer a seguir. Quero ver o que vai acontecer com os impostos que vão continuar a aumentar e com a crescente estatização.

- Voltando à crise dos professores, isso e a greve dos motoristas permitiu a António Costa criar uma aura de autoridade?
- Em relação à greve dos motoristas, foi um desastre a forma como o Governo lidou com isso na Páscoa. Aprendeu e mostrou isso no verão, mas não resolveu nada de estrutural. Não é forma de vida quando há um problema pôr o Exército na rua.

Achamos que deve ser revista a lei da greve para se encontrarem formas mais eficazes de assegurar o cumprimento dos serviços mínimos.

- O CDS defende que uma falta aos serviços mínimos abra a porta a um despedimento.
- Em Portugal, faltar a serviços mínimos dá uma falta injustificada, em Espanha dá direito à abertura de um processo disciplinar.

É preciso abrir o debate e pôr os parceiros sociais a discutir a questão.

- Por que não houve uma maior aproximação a Rui Rio?
- Temos uma estratégia convergente, que é trabalhar para construir uma alternativa no centro e direita para Portugal. Mas cada um tem prioridades que não são exatamente iguais.

- Reuniu com Rio?
- Não tivemos encontros, como não tinha com Passos Coelho.

- Está afastado da sua ideia tentar liderar a direita?
- Lendo o que aconteceu em 2015 mantive sempre o mesmo discurso: sabemos onde estamos, mas o voto tornou-se mais livre.

As pessoas já sabem que não precisam de votar numa pessoa para ser primeiro-ministro.

O voto no centro-direita tornou-se mais possível no CDS, porque éramos penalizados pela ideia do ‘eles nunca lá chegam’. Agora discutimos deputados que ou vão para o CDS ou vão para a esquerda em distritos como Braga, Aveiro, Setúbal ou Viseu.

Temos de dizer às pessoas que temos de ter toda a ambição, com certeza.

- Falemos em ambição transformada em aritmética. Qual é o resultado aceitável no dia 06?
- Estamos a trabalhar para ter o melhor resultado possível.

"Contas são prudentes"
- Qual a medida mais urgente em termos fiscais?
– Baixar o IRS, em média, 15% para todas as pessoas e ir baixando o IRC até 12%, que é a taxa da Irlanda.

- E há dinheiro para isso?
- Haverá folga orçamental a partir de 2021 e as nossas contas são muito prudentes. O objetivo é usar 60% do excedente para baixar os impostos e 40% para baixar a dívida.

- Baixa mais os impostos do que reduz a dívida. A mãe da parábola que usou no debate com o PAN concordaria com isso?
- Ainda não devolvemos às pessoas o enorme aumento de impostos da troika. É uma medida de justiça. Se os impostos aumentam quando há troika, se não se podem baixar porque há défice, enquanto quando há superavit não se baixa?

- E para a Educação?
– Autonomia para as escolas desenvolverem projetos educativos e liberdade de escolha dentro da própria rede pública, permitindo às famílias mais carenciadas entrarem na escola que querem para evitar a guetização das crianças.

- Medidas para a Saúde...
– Para combater as listas de espera é preciso garantir que todas as pessoas têm direito a uma consulta de especialidade dentro dos três messe recomendados, seja no setor público, no social ou no privado. E o alargamento da ADSE.

- Como?
– Por adesão voluntária, como acontece com a Função Pública e pressupõe um estudo para garantir a sustentabilidade.

CDS defende figura do denunciante
A líder centrista defendeu como prioritário dotar a PJ e o Ministério Público de mais meios.

Assunção Cristas assumiu também a necessidade de rever a legislação do estatuto do arrependido e criar no regime jurídico português a figura do denunciante.

Ao contrário do PSD, Cristas defendeu ainda a manutenção de uma maioria de magistrados nos conselhos superiores do setor.
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