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Correio da Manhã

Política
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ATÉ ÀS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS

O caso de suspeitas de pedofilia na Casa Pia deve ser levado até às “últimas consequências” de modo a que “não restem dúvidas” na sociedade portuguesa. A afirmação foi feita por Marcelo Rebelo de Sousa no seu habitual comentário de domingo para a TVI.
21 de Janeiro de 2003 às 00:00
O antigo líder do PSD defendeu, ainda, que a Ordem dos Advogados deveria levantar o segredo profissional a Hugo Marçal, que até há poucas semanas era o responsável pela defesa de Carlos Silvino “Bibi”.

Ciente de que o levantamento do segredo profissional de um advogado é “grave”, Rebelo de Sousa afirma que, neste caso, deveria ser a opção seguida pela Ordem dos Advogado para que “não fique a ideia de que se está a encobrir gente poderosa ou rica”. Hugo Marçal abandonou a defesa de “Bibi” no início deste mês, por ter “sofrido inúmeras pressões e ameaças de morte”.

Quando abandonou o caso, Marçal pediu ao Bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, para autorizar o levantamento do segredo profissional a que está obrigado, de modo a poder contar tudo o que sabia à Polícia Judiciária.

No seu comentário, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou o seu apoio à decisão do primeiro-ministro Durão Barroso de aceitar receber os dois antigos alunos da Casa Pia que lhe tinham solicitado audiência, no início do mês, para “apontar as contradições existentes nos depoimentos prestados por alguns ex-secretários de Estado” (que tutelaram a instituição).

Para o comentador, a atitude de Durão Barroso é de louvar porque ocorre depois de os dois ex-alunos “terem dado várias entrevistas, nas quais afirmavam que tinham meios de implicar um elemento do Governo e um antigo deputado ao Parlamento Europeu”.

“É bom que o primeiro-ministro lhes exija que digam tudo o que sabem, com provas, porque nesta matéria tem de se ir mesmo até ao fundo, quaisquer que sejam as consequências, porque não pode ficar a ideia de que se protege este ou aquele”, sublinhou Rebelo de Sousa.

O antigo líder social-democrata frisou, ainda, que “é bom tanto para a democracia, como para o Estado e para as instituições que não reste dúvida nenhuma sobre este caso”.
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