Presidente do município deixou apelo a um "amplo consenso político" devido à necessidade de adequar o SNS a uma nova realidade.
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro classificou esta segunda-feira como "muito preocupante" a situação das urgências de Ginecologia e Obstetrícia na Península de Setúbal e alertou que é necessário uma estratégia de fundo com um largo consenso político.
"Tal como no caso do novo aeroporto, o Serviço Nacional de Saúde é também merecedor de um consenso alargado para um caminho estrutural que passa pela valorização dos profissionais e pela melhoria das condições de trabalho", disse Frederico Rosa, em declarações à agência Lusa.
A Península de Setúbal tem três hospitais: São Bernardo, em Setúbal, Garcia de Orta, em Almada, e Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, unidades que servem nove concelhos do distrito de Setúbal (Almada, Setúbal, Seixal, Sesimbra, Palmela, Montijo, Moita, Barreiro e Alcochete), com um total de 808.689 residentes nos Censos de 2021.
Segundo as escalas de urgência publicadas no Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS), às 23:30 de domingo, as urgências de Ginecologia e Obstetrícia fechadas esta segunda-feira são as do Hospital de São Bernardo, do Hospital Nossa Senhora do Rosário, do Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, do Hospital das Caldas da Rainha e do Hospital de Santo André, em Leiria.
Esta semana, quinta-feira e sábado serão os dias com mais urgências de Ginecologia fechadas - sete no total.
Esta segunda-feira vai também estar fechada a urgência de Pediatria do hospital do Barreiro.
Nos hospitais Santa Maria, em Lisboa, e Garcia de Orta, também serão recebidos apenas os casos referenciados, ou seja, reservados às urgências internas, aos casos referenciados pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e pela linha SNS 24.
Frederico Rosa alertou que este não é um problema apenas local e que a questão "não se resolve com pensos rápidos", devendo ser repensada o quanto antes e a longo prazo, sob pena de os problemas se repetirem daqui a um ano.
"É um problema de fundo que tem de ser tratado com a seriedade necessária para dar tranquilidade às pessoas e garantir a previsibilidade do sistema", frisou o autarca do Barreiro.
O presidente do município deixou o apelo a um "amplo consenso político", alertando para a necessidade de adequar o SNS a uma nova realidade que é a convivência com o sistema privado.
Segundo dados dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) avançados na sexta-feira à Lusa, a Linha SNS Grávidas, que faz parte do SNS 24, atendeu 16.141 chamadas entre os dias 01 de junho e 26 de julho, sendo que 8.268 chamadas se referem às triagens realizadas no mês de junho.
Em dois meses, cerca de 2.490 utentes foram referenciadas para os cuidados de saúde primários e 11.209 para os serviços de urgências hospitalares, referiu a SPMS, indicando ainda que 246 foram referenciadas para o INEM.
Os dados revelam também que mais de 13,5% das grávidas foram aconselhadas a ficar em autocuidados.
Quanto ao número de atendimentos realizados pelo SNS 24 nos primeiros oito meses do ano, os dados referem que totalizaram 1.875.56, menos 9.493 relativamente ao período homólogo de 2023.
Segundo os números, 610.941 utentes foram reencaminhados para urgências hospitalares e 461.379 para os cuidados de saúde primários.
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