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Correio da Manhã

Política
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Azeredo leva oito minutos a entregar telemóvel que tinha SMS comprometedor trocado com deputado do PS

Ex-ministro da Defesa tentou alterar versão do caso.
António Sérgio Azenha 10 de Outubro de 2019 às 08:43
Azeredo Lopes
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Azeredo Lopes resistiu durante 8,33 minutos a entregar ao Ministério Público (MP) - quando foi ouvido como arguido no processo de Tancos - o telemóvel no qual seria encontrada a mensagem que, segundo a acusação, prova que o ex-ministro da Defesa sabia da encenação da recuperação das armas roubadas em Tancos.

Nessa mensagem, que foi enviada ao deputado Tiago Barbosa Ribeiro no dia em que a Polícia Judiciária Militar recuperou as armas roubadas em Tancos, Azeredo Lopes afirmou: "Eu sabia, mas tive de aguentar calado a porrada que levei. Mas, como é claro, não sabia que ia ser hoje." Nesse dia, realizou-se o debate quinzenal com o primeiro-ministro, António Costa, na Assembleia da República.

Dada a resistência de Azeredo Lopes "e porque o arguido continuava sem entregar o telemóvel", como refere um despacho do MP integrado nos autos do caso Tancos, o MP acabou por fazer a apreensão do telemóvel.

Azeredo Lopes requereu a alteração do despacho do MP que fundamentou a apreensão do equipamento telefónico, defendendo que "entregou o telemóvel voluntariamente, colocando-o em cima da mesa", mas o MP negou. O MP contrapôs que, "na verdade, quando foi convidado a entregar o telemóvel, o arguido em primeiro lugar perguntou: "Eu não tenho telemóvel, que telemóvel?"

O MP alegou ainda que tentou evitar constrangimentos ao ex-ministro, pedindo-lhe que entregasse o equipamento mas que ele não o fez.

Novo inquérito no Parlamento vai avançar
Na próxima legislatura, deverá avançar uma nova comissão parlamentar de inquérito sobre Tancos, proposta pelo CDS, já que PS, Bloco e PEV manifestaram esta quarta-feira o seu acordo na comissão permanente da Assembleia da República.

PSD e CDS lamentaram que o debate não tenha acontecido antes das eleições e reforçaram as dúvidas sobre António Costa quanto à encenação na recuperação das armas. "Em circunstâncias normais, o ministro da Defesa teria dito ao primeiro-ministro o que se passava. Se sabia e nada fez, foi conivente.

Se não sabia, algo de estranho se passa", criticou Fernando Negrão, do PSD.

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