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BE acusa grupo de trabalho da Segurança Social de "truque contabilístico" e pede audições na AR

Fabian Figueiredo contestou números do relatório apresentado esta terça-feira pelo grupo de trabalho criado para estudar a reforma da Segurança Social.

18 de agosto de 2026 às 18:24

O BE acusou esta terça-feira o grupo de trabalho da reforma da Segurança Social de "truque contabilístico" e "tortura dos números" para assustar os portugueses sobre a sustentabilidade do sistema, pedindo a audição da ministra do Trabalho e destes peritos.

Em conferência de imprensa na sede do BE, em Lisboa, o deputado único do partido, Fabian Figueiredo, contestou números do relatório apresentado esta terça-feira pelo grupo de trabalho criado para estudar a reforma da Segurança Social, coordenado por Jorge Bravo, e contrapôs que "a Segurança Social portuguesa nunca esteve tão sólida".

"Isto é um facto verificado por várias entidades públicas, pelo Tribunal de Contas, pelos vários relatórios do Orçamento do Estado (...) E agora, em pleno mês de agosto, com seis meses de atraso, apresenta-se um relatório cujas conclusões nós já antevíamos, que afinal de contas há um problema, há um buraco na Segurança Social, mas é importante dizer ao país como é que se fabrica este buraco: com um truque de contabilidade criativa", acusou.

De acordo com o deputado do BE, "somar a Caixa Geral de Aposentações à Segurança Social e dizer que há um buraco é contabilidade criativa, é querer assustar os portugueses" e também "contrariar todos os dados, todos os relatórios e até o que o Governo tem vindo a dizer".

"As contas são criativas, ou seja, as contas estão feitas para chegar àquela conclusão. É um estudo que tortura os números para chegar à conclusão de que é preciso privatizar a segurança social, que é preciso plafonamento, que é preciso contas individualizadas e acabar com a solidariedade intergeracional", condenou.

O BE pediu uma audição conjunta na Assembleia da República, e com caráter de urgência, da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, e do grupo de trabalho coordenado pelo economista Jorge Bravo.

"O governo escolheu literalmente o lobo para dizer como é que deve ordenar o rebanho, isto é inacreditável. Há aqui um claro conflito de interesses porque as opiniões de Jorge Bravo são conhecidas, as suas previsões financeiras também, é importante recordar. As contas de Jorge Bravo têm um cadastro, não é um currículo, disse que em 2015 íamos ter um buracão e temos um excedente", criticou.

O grupo de trabalho criado para estudar a reforma da Segurança Social defende que analisar isoladamente o sistema previdencial constitui uma leitura "incorreta, incompleta e ilusória" da sustentabilidade da Segurança Social.

"Qualquer leitura isolada dos saldos da CGA [Caixa Geral de Aposentações] e do sistema previdencial é ilusória e incorreta", afirmou Jorge Bravo, economista e coordenador do grupo de trabalho criado para estudar a reforma da Segurança Social, na apresentação das conclusões, esta terça-feira em Lisboa.

Durante a apresentação do relatório final intitulado "Reformar as Pensões em Portugal - Por um Sistema Sustentável, Adequado e Justo -- um Contrato entre Gerações", o coordenador Jorge Bravo defendeu que "a análise correta seria uma análise conjunta" dos dois sistemas.

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