Fabian Figueiredo propôs a instituição de uma renda máxima nos novos contratos de arrendamento, um travão de 1 % à atualização das rendas já no próximo ano.
O BE apresentou esta sexta-feira 30 propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2027 na área da habitação, incluindo tetos às rendas e agravamento fiscal para fundos de investimento, e defendeu o regresso do 'autovoucher' nos combustíveis.
Em conferência de imprensa, na Assembleia da República, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, apresentou um total de 57 propostas de alteração ao Orçamento, incluindo 30 sobre a crise na habitação, desafiando a restante oposição a "enterrar" a lei do arrendamento do Governo durante a apreciação na especialidade.
O bloquista propôs a instituição de uma renda máxima nos novos contratos de arrendamento, um travão de 1 % à atualização das rendas já no próximo ano, limite às cauções e um prazo de 30 dias úteis para regularizar rendas em atraso sem despejo.
"Podemos enterrar a lei dos despejos já no Orçamento do Estado e é esse o desafio que nós deixamos", apelou Fabian Figueiredo, realçando que a lei orçamental "tem valor reforçado e sobrepõe-se a qualquer outra".
Outra das propostas do BE, intitulada "Travão Caixa", sugere que a Caixa Geral de Depósitos (CGD), enquanto banco público, trave aumentos nas prestações do crédito à habitação: durante 12 meses, o banco não repercute nos créditos à habitação própria e permanente as subidas das taxas do Banco Central Europeu decididas em 2026.
O BE defende o fim dos benefícios fiscais para fundos imobiliários propondo, em sentido oposto, um agravamento: IMT de 50 % na aquisição de habitação por fundos de investimento, Sociedades de Investimento e Gestão Imobiliária, fundos de pensões e grandes proprietários com mais de dez fogos, sem acesso a isenções, bem como Imposto do Selo de 10 % na compra de imóveis por fundos e sociedades de investimento imobiliário.
Os bloquistas querem ainda impedir que imóveis do Estado com aptidão habitacional possam ser alienados a privados, sendo transferidos gratuitamente para o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) ou para municípios, e propõem ainda a regulação do alojamento local e moratória à expansão hoteleira nos territórios sob pressão, entre outras.
Fabian Figueiredo -- que adiantou que o BE vai apresentar um total de 300 propostas de alteração ao documento do Governo -- propôs ainda o regresso do 'autovoucher' nos combustíveis, medida que vigorou entre 2021 e 2022, no Governo do PS liderado por António Costa, para mitigar a subida de preços neste setor.
Os bloquistas propõem um 'autovoucher' de vinte euros mensais durante o primeiro semestre de 2027, "creditado automaticamente e devolvido na conta bancária após o primeiro abastecimento de cada mês, prorrogável até ao fim do ano enquanto os preços se mantiverem acima dos níveis anteriores ao conflito" no Médio Oriente.
"Para quem recebe 3.000Euro, a devolução de vinte tem pouco impacto. Para quem ganha o salário mínimo, ou pouco mais, receber mensalmente mais vinte euros é perto de um quarto de depósito que consegue receber de volta", salientou o deputado, que insistiu num preço máximo de venda ao público dos combustíveis.
Entre as propostas do BE estão também a subida do Salário Mínimo Nacional para 1.050 euros a partir do próximo ano, subsídio de refeição para todos os trabalhadores, incluindo no setor privado, reposição do IRC a 21% para empresas que faturam mais de 50 milhões de euros por ano e a duplicação do AIMI (Adicional ao Imposto Municipal sobre Imóveis), que em 2017 ficou conhecido como "imposto Mortágua".
Fabian Figueiredo disse ainda que o BE vai propor a inclusão no Orçamento de uma norma para impedir cortes nas pensões da Caixa Geral de Aposentações (CGA) depois de esta instituição ter anunciado uma correção de 2.937 pensões atribuídas entre maio e agosto deste ano, após deteção de um erro no cálculo.
A proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 foi aprovada a 28 de outubro na generalidade na Assembleia da República, com votos a favor de PSD e CDS-PP, abstenções de PS, PAN e JPP e contra de Chega, IL, Livre, PCP e BE.
Esta sexta-feira termina o prazo para os partidos apresentaram propostas de alteração ao OE2027, que começarão a ser discutidas e votadas a partir de 18 de novembro, culminando na votação final global do documento a 24 de novembro.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.