Fabian Figueiredo reafirmou também a necessidade de se realizar um inquérito parlamentar sobre o que se passou no processo referente aos exames nacionais.
O BE exigiu que ainda este sábado o ministro da Administração Interna dê uma explicação cabal sobre as suas relações com um empreiteiro que tinha na sua posse um reboque apreendido numa operação contra o tráfico de droga.
Esta posição sobre o titular da pasta da Administração Interna, Luís Neves, foi transmitida à agência Lusa pelo dirigente do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo, deputado, que também desafiou o ministro da Educação, Fernando Alexandre, a garantir que nenhum aluno ficará prejudicado por ter notas suspensas no processo de exames nacionais para acesso ao ensino superior.
No que respeita ao ministro da Administração Interna, Fabian Figueiredo considerou que gera "enorme perplexidade" que um empreiteiro próximo de Luís Neves tenha na sua posse um reboque que foi apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga.
O bloquista assinalou depois que esse reboque apareceu no âmbito de uma operação policial que terá desmantelado "o maior laboratório até hoje" montado em território nacional para a produção de estupefacientes.
"Além disso, estavam nesse mesmo reboque, encontrado no armazém propriedade desse mesmo empreiteiro, bidões com químicos para o processamento de droga. Este caso precisa de um esclarecimento cabal, urgente, porque suscita a mais profunda perplexidade ao Bloco de Esquerda e ao comum dos cidadãos", frisou.
O deputado disse ter registado que Luís Neves, ex-diretor nacional da Polícia Judiciária, assumiu na semana passada que este sábado faria muitas coisas diferentes em relação a este caso.
"E é importante que o país conheça a extensão dessa frase proferida por Luís Neves. Por isso, o Bloco de Esquerda apela a que o ministro da Administração Interna, ainda este sábado, esclareça o país sobre todo este caso", referiu.
"Como é que um reboque apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga acaba nas mãos de um empreiteiro e, sobretudo, como é que químicos usados para o processamento de drogas acabam num armazém desse mesmo empreiteiro? Isto é um caso que parece sair de um filme, de uma série televisiva, mas, infelizmente, pode ser lido nas páginas da imprensa de referência", rematou.
Nas declarações que fez à agência Lusa, Fabian Figueiredo considerou também que só resta a demissão ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, após serem conhecidos os últimos casos relacionados com a publicação das notas dos exames nacionais.
"Já se encontrava numa situação completamente insustentável e já tinha perdido toda a credibilidade, toda a autoridade política. O que se está a passar nas últimas horas só adensa a crise da credibilidade de Fernando Alexandre. Fernando Alexandre deve pôr o lugar à disposição, já não tem credibilidade nenhuma, deve concluir este processo e deve apresentar-se na comissão parlamentar de inquérito na qualidade de ex-ministro da Educação", sustentou.
Fabian Figueiredo reafirmou também a necessidade de se realizar um inquérito parlamentar sobre o que se passou no processo referente aos exames nacionais.
"O país precisa de saber o que falhou para ter a certeza que nunca mais se volta a confrontar com uma situação catastrófica e caótica. Pela primeira vez, o sistema de entrada no ensino superior, o sistema de avaliação dos exames nacionais colapsou. E colapsou porque o ministro ignorou todos os avisos, porque o ministro decidiu desmantelar o Ministério da Educação", acusou.
Fabian Figueiredo deixou ainda um repto a Fernando Alexandre: "É urgente que o ministro fale ao país e que garanta que nenhum estudante é prejudicado e que as datas da segunda fase de exame são readaptadas."
"Temos uma parte dos alunos com notas e outra parte dos alunos sem notas. Isto nunca aconteceu, nem sequer durante a pandemia" da covid-19, acrescentou.
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