Localização de Centro Integrado de Valorização de Resíduos contestada pela população e por autarcas locais.
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O deputado do Bloco de Esquerda (BE) José Manuel Pureza exigiu este domingo localizações alternativas para instalar um Centro Integrado de Valorização de Resíduos (CIVR) na Figueira da Foz, contestado pela população e por autarcas locais.
Uma manifestação de protesto contra a instalação do CIVR na freguesia da Marinha das Ondas, no sul do concelho da Figueira da Foz, promovida por um movimento popular autodenominado "Marinha Mais Saudável", juntou este dommingo cerca de meio milhar de pessoas perto do local para onde está prevista a instalação da unidade industrial, numa antiga suinicultura, agora desativada.
"As pessoas que vivem neste território têm sido penalizadas, há gerações que vêm sendo penalizadas pelas empresas que aqui se colocam, é a pasta de papel, são os aviários, agora querem pôr aqui uma unidade de tratamento de resíduos a poucos metros de um restaurante e das casas das pessoas. Isto não é admissível, certamente que se tem de exigir que haja um estudo de localizações alternativas, porque localização não há de faltar, o que é preciso é respeitar estas pessoas", disse José Manuel Pureza, em declarações à margem do protesto.
O também vice-presidente da Assembleia da República lembrou que as populações de aldeias e lugares da freguesia da Marinha das Ondas "são super penalizadas no seu dia-a-dia, na sua saúde, nos seus abastecimentos de água, nas suas culturas" por residirem na vizinhança de duas indústrias de celulose e de atividades de pecuária e agroalimentar.
"Estas pessoas não podem continuar a ser penalizadas como se não existissem, isto é um desrespeito que não é admissível", argumentou o deputado do BE, frisando que para compatibilizar a unidade industrial com a vontade das populações -- que se dizem contra a localização escolhida mas não contra a empresa -- "é preciso ouvir as pessoas".
José Manuel Pureza disse ainda que o Bloco de Esquerda vai questionar o Governo na segunda-feira sobre a instalação do CIVR na Figueira da Foz, nomeadamente qual o critério para a instalação da unidade industrial naquele local.
"Porque, manifestamente, para as pessoas que aqui vivem e que aqui sofrem, isto não é de todo aceitável", alegou.
Também presente no protesto, Miguel Viegas, eurodeputado do PCP, considerou "certa e justa" a luta da população da Marinha das Ondas mas também da localidade de Alhais, na freguesia vizinha de Carriço, já no concelho de Pombal, incentivando os manifestantes a "indignarem-se e unirem-se" contra a instalação do CIVR.
"Não é possível entender que esta população que já tem duas fábricas de celulose num raio tão curto, seja agora castigada com mais esse investimento", afirmou o eurodeputado comunista.
Embora defendendo que o investimento "é necessário" e que os resíduos "têm de ser tratados", Miguel Viegas frisou que, no caso da Marinha das Ondas, existe "um erro de planeamento", exortando a Câmara Municipal da Figueira da Foz e as autoridades regionais "a encontrarem uma solução que seja justa e a contento das populações".
O eurodeputado do PCP anunciou ainda que vai questionar esta semana a Comissão Europeia sobre a instalação do CIVR naquele local "porque há regras que têm de ser respeitadas".
"E nós queremos saber se elas foram respeitadas, em termos de impacte ambiental, em termos de inquérito às populações, se elas foram efetivamente ouvidas e se foram esgotadas todas as soluções alternativas para ser possível conciliar a importância da empresa com o bem-estar das populações, porque este não tem preço", sublinhou Miguel Viegas.
Já Ana Oliveira, deputada do PSD eleita pelo círculo de Coimbra, defendeu o esclarecimento da população, alegando que existe "muita falta de informação", quer da parte da empresa Bioenergias, quer por parte da Câmara Municipal da Figueira da Foz, que considerou ser "o grande impulsionador" do Centro Integrado de Valorização de Resíduos na freguesia da Marinha das Ondas.
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