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Correio da Manhã

Política
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BE organiza ações de sensibilização pelo fim da poluição do rio Tejo

Bloquista refere que o Tejo "tem estado nos últimos dias sem poluição visível" devido às denúncias dos ambientalistas.
28 de Fevereiro de 2016 às 20:52
Bloco de Esquerda defende que o rio tem de deixar de ser poluído a curto prazo
Bloco de Esquerda defende que o rio tem de deixar de ser poluído a curto prazo FOTO: António José/Lusa
As distritais de Santarém, Portalegre e Castelo Branco do BE realizaram este domingo ações de sensibilização em defesa do rio Tejo, com a colocação de faixas desde Vila Velha de Ródão até ao Cartaxo e a entrega de folhetos informativos.

No distrito de Santarém, a ponte rodoviária de Abrantes foi o ponto escolhido para a iniciativa do Bloco de Esquerda (BE), que defendeu que o rio tem de deixar de ser poluído a curto prazo, incluindo através do investimento de empresas poluentes.

"Sabemos que existem poderosíssimos interesses por detrás disto, mas o crime não pode compensar. O Governo, os políticos, os cidadãos e os ambientalistas têm de continuar a pressionar para que este investimento seja feito o mais rapidamente possível", considerou o deputado eleito por Santarém Carlos Matias, presente na iniciativa.

O bloquista referiu que o Tejo "tem estado nos últimos dias sem poluição visível" devido às denúncias dos ambientalistas e à pressão sobre o poder público.

"Esta pressão dos cidadãos, autarcas, políticos e ambientalistas começa a dar alguns resultados e é necessário que se mantenha este nível de exigência para que se faça uma intervenção a sério e que acabe, de uma vez por todas, com a poluição no Tejo", defendeu.

De acordo com o partido, a empresa Celtejo, de Vila Velha de Ródão (distrito de Castelo Branco), tem de fazer um investimento de 80 milhões de euros para garantir a qualidade dos efluentes que larga ao rio.

Carlos Matias sublinhou que "o BE não é contra as empresas, mas sim contra os crimes ambientais".

No dia 19, a Celtejo, fábrica de pasta de papel da Altri, assegurou cumprir os limites de descarga hídricos impostos pela licença ambiental e adiantou que as análises confirmam a "correta atuação da empresa".

A empresa "cumpre escrupulosamente a regulação e normativo aplicável, detendo a respetiva licença ambiental para a sua atividade industrial, estando a cumprir os limites de descarga nela requeridos, nomeadamente no domínio hídrico", referia então um comunicado da empresa.

O Ministério do Ambiente emitiu este mês um comunicado no qual se indicava que a Inspeção-Geral do Ambiente determinou dois mandados a empresas com atividade junto da bacia do Tejo, que têm de cumprir as medidas estipuladas para acabar com a poluição, ou serão encerradas, e pediu abertura de inquéritos criminais.

Carlos Matias manifestou ainda a sua "preocupação com a situação da central nuclear espanhola de Almaraz", situada a 100 quilómetros de Portugal e onde foram detetadas falhas no sistema de arrefecimento de serviços essenciais.

"O tempo de vida da central acabou em 2010 e é inaceitável que o Governo espanhol tenha prolongado o seu funcionamento por mais 10 anos, com todos os problemas revelados, como as falhas nos sistemas de arrefecimento ou a ausência de revisões periódicas há 19 anos", afirmou.
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