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Correio da Manhã

Política
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BLINDADOS NOVOS AVANÇAM

O concurso de blindados de rodas para o Exército e para o Corpo de Fuzileiros vai finalmente ser lançado. A questão poderá hoje ser mesmo abordada por Durão Barroso, na deslocação que o primeiro-ministro vai fazer a Mafra, no âmbito das comemorações da Batalha de Aljubarrota.
14 de Agosto de 2003 às 00:00
 A Chaimite deverá ser urgentemente substituída por um novo modelo de blindado de rodas
A Chaimite deverá ser urgentemente substituída por um novo modelo de blindado de rodas FOTO: Jorge Godinho
Paulo Portas já tinha anunciado no Dia das Forças Armadas a intenção de lançar o concurso, processo que agora ficou concluído a nível do Ministério da Defesa (MDN), cuja Direcção-Geral de Armamento já tem pronto o caderno de encargos - que vai custar 50 mil euros -, depois de o Exército e os Fuzileiros terem estabelecido os requisitos operacionais. O MDN confirmou a finalização do caderno de encargos.
Em causa está um total de 320 blindados, com uma verba prevista na Lei de Programação Militar (LPM) de 392 milhões de euros, essencialmente para preencher uma necessidade do Exército, que não tem um blindado novo há mais de 30 anos. O recurso tem sido os blindados Chaimite, viaturas obsoletas que já oferecem reduzidas condições de segurança e que nem constituíram alternativa para a força da GNR a enviar para o Iraque, que foi obrigada a encontrar uma solução urgente no estrangeiro. Não se sabe ainda, no entanto, se a opção de aquisição vai para o concurso público ou para o concurso por convites, mas Portugal poderá optar por seguir o exemplo da Polónia e da Checoslováquia, que recentemente preferiram esta última solução, para reduzir o número de concorrentes.
No mercado já se posicionam a norte-americana General Dynamics, com a Piranha, a finlandesa Patria, com a MV 8x8, e austríaca Steyer, com a Pandur, todas no modelo 8x8, embora em várias versões.
A LIÇÃO DOS AMERICANOS NAS 'RODAS'
Se bem que os blindados de rodas sejam unidades ligeiras, um dos requisitos vai ser a capacidade de as viaturas a adquirir terem capacidade para suportar um canhão anticarro de 105 mm, uma necessidade expressa pelo Exército, e que abrange também o canhão de 25 mm. A opção encontra exemplo no Exército norte-americano que está a cosntituir três brigadas de intervenção rápida totalmente equipadas com blindados de rodas, neste caso a Piranha 8x8, que venceu o respectivo concurso. A primeira brigada estará pronta em Outubro e poderá vir a ser empregue no Iraque, num teste a um conceito que foi abraçado pelo secretário de Estado da Defesa, Donald Rumsfeld, pouco avesso ao incremento das unidades mecanizadas e blindadas, e que aposta mais na garantia da mobilidade estratégica. Em Portugal, um dos maiores partidários do incremento das viaturas de rodas é o próprio general Valença Pinto, actual chefe do Exército, que enquanto quartel-mestre-general de Silva Viegas, constituiu um importante suporte desta filosofia. Aliás, o Exército chegou a propor para a LPM a aquisição de mais de 600 viaturas de rodas, ao invés das actuais 300, que iria substituir as 'lagartas' da Brigada Mecanizada.
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