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Correio da Manhã

Política
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Bloco insiste em ouvir Dias Loureiro

O porta-voz do PS, Vitalino Canas, garantiu ontem ao Correio da Manhã que prescinde da audição de Dias Loureiro no âmbito das irregularidades detectadas no BPN porque, justificou, “a Assembleia da República serve para fiscalizar o Governo e não para ouvir os problemas dos cidadãos que se querem justificar perante o País. Para isso existem outros meios”, sublinha.
17 de Novembro de 2008 às 00:30
Vitalino Canas explica que o PS não vai ouvir Dias Loureiro (à dir.) por estar a decorrer uma investigação
Vitalino Canas explica que o PS não vai ouvir Dias Loureiro (à dir.) por estar a decorrer uma investigação FOTO: D.R.

O PS chumbou o primeiro pedido de audição solicitado pelo Bloco de Esquerda (BE) para ouvir vários ex-gestores do Banco Português de Negócios (BPN), entre eles Dias Loureiro. O ex-ministro da Administração Interna enviou uma carta à Assembleia da República a pedir para ser ouvido, mas Vitalino Canas confirma que 'a decisão já está tomada' e que o grupo parlamentar chumbará o pedido.

O presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, Jorge Neto, prefere não falar sobre o conteúdo da carta, mas garante que a enviou para todos os grupos parlamentares e aguarda agora que 'seja feito um requerimento para que a questão seja discutida'.

O dirigente BE, Francisco Louçã, avisa que vai 'voltar à carga' e acusa o PS de 'hipocrisia'. 'São banqueiros que gozaram da confiança do Estado e que vêm falar sobre um problema que vai ser resolvido com o dinheiro dos contribuintes. O PS está a diminuir o Parlamento ao tentar apagar a questão.'

Diogo Feio, líder parlamentar do CDS-PP, diz que nem pondera apresentar um requerimento dado que 'é um acto desnecessário'. E explica porquê: 'O PS chumbou o primeiro pedido de audição e já anunciou que vai chumbar o segundo requerimento.'

SAIBA MAIS

AUDIÇÃO

O BE entregou no Parlamento um requerimento para ouvir Oliveira e Costa, Dias Loureiro, Abdool Vakil, Rui Machete e Miguel Cadilhe no âmbito das irregularidades detectadas. O Partido Socialista chumbou o pedido.

700

Milhões de euros deverá ser o valor a suportar pelos contribuintes em consequência da nacionalização do BPN. Analistas defendem que esse montante deverá ser superior.

'ALEGRE ATÉ É ÚTIL AO PS'

José Lello considera que 'Manuel Alegre é muito previsível', mas que 'até é útil ao PS'. Foi desta forma que o dirigente socialista reagiu às acusações do deputado do PS, que numa entrevista TSF/DN reiterou as críticas ao PS, acusando o partido de ser uma 'máquina eleitoral e uma máquina de poder, que deixou de ter vida própria e autónoma'. Em declarações ao Correio da Manhã, José Lello começou por comentar: 'Manuel Alegre tem uma posição táctica, previsível, quase em competição com o BE'.

E acrescentou: 'Mas até é útil ao PS porque evidencia quanto o partido é aberto, permitindo que haja pessoas com diferentes opiniões.' Também contactado pelo nosso jornal, o deputado socialista António José Seguro admitiu ter lido a entrevista, mas não quis fazer quaisquer comentários.

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