Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
8

BRAÇO-DE-FERRO ENTRE PSD E PS

O acordo sobre o referendo à Constituição Europeia está longe de ser alcançado. Os últimos acontecimentos revelam um braço-de-ferro entre PSD e PS com troca de responsabilidades mútuas sobre os obstáculos ao processo.
23 de Outubro de 2004 às 00:00
Em causa está a necessidade ou não de uma revisão cirúrgica extraordinária à Constituição Portuguesa, o consequente âmbito da pergunta a colocar aos portugueses, bem como a data para a consulta. Qualquer alteração à Lei Fundamental ‘obriga’ a uma maioria de dois terços em Plenário e o consenso sobre as condições para a realização do referendo pode estar comprometido.
O PSD pretende que a consulta ocorra no mês de Abril. O PS insiste no primeiro trimestre de 2005. Se possível em Fevereiro.
Os líderes parlamentares do PSD e do PS trocaram ontem cartas entre si sobre o caso. Guilherme Silva pediu ao seu homólogo um encontro no princípio da próxima semana. António José Seguro prefere que o líder parlamentar do PSD “influencie” o Governo a apresentar uma iniciativa legislativa para o referendo já no próximo Conselho de Ministros, tendo em vista uma consulta popular sobre “os assuntos europeus”.
Feitas as contas, os sociais-democratas fazem depender a formulação da pergunta ao referendo para uma “revisão constitucional”. E remetem para os socialistas o ónus político dos entraves neste dossiê.
Do lado do PS, fontes parlamentares sublinham que o PSD “deveria ter pensado no assunto” na última revisão constitucional, realizada em Abril. Por isso, a “bola está do lado do Executivo”. Se o Governo fizer finca-pé sobre a revisão constitucional, a leitura política é clara para o PS: “Aí veremos se eles estão dispostos ou não a fazer o referendo”, afirmou ao CM, uma fonte socialista.
O PSD tem a mesma leitura, mas com protagonistas inversos.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)