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Correio da Manhã

Política
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Cabo-verdianos negam pressões de Isaltino

Onésimo da Silveira, ex-presidente da Câmara do Mindelo, São Vicente, e Carlos Veiga, antigo primeiro-ministro de Cabo Verde, negaram ontem em tribunal que o autarca de Oeiras, Isaltino Morais, tenha feito pressão sobre os responsáveis do município cabo-verdiano no sentido de obter um terreno na praia do Calhau para construir uma casa como contrapartida do acordo de geminação entre as duas autarquias.

17 de Junho de 2009 às 00:30
Antigos responsáveis de Cabo Verde garantem que terreno na praia do Calhau foi oferecido a Isaltino Morais
Antigos responsáveis de Cabo Verde garantem que terreno na praia do Calhau foi oferecido a Isaltino Morais FOTO: Diogo Pinto

"Passei anos a insistir com Isaltino Morais para aceitar o terreno, queria amarrá-lo a São Vicente", disse Onésimo Silveira contrariando a Acusação. "Em Cabo Verde seguimos uma tradição, que é a prática de moraneza [saber receber, gostar de oferecer]... Se calhar eu é que devia ser punido", comentou o ex-autarca. "A doação do terreno foi um acto de gratidão, por Isaltino Morais ser amigo da nossa terra", explicou. "Era uma espécie de marketing cultural", acrescentou ainda.

O depoimento de Onésimo Silveira suscitou algumas dúvidas junto do procurador do Ministério Público e da juíza-presidente, quando se referiu ao terreno como não sendo "nada de jeito". Disse ainda que "é tão mau que está situado numa vila chamada Miséria" e que "só tem vento e calhaus". Perante a classificação, a testemunha foi confrontada com o facto de a autarquia de Mindelo ter encontrado uma forma estranha de agradecer a Isaltino. "Pensámos que a urbanização da zona ia ser uma mais-valia", reagiu o ex-autarca.

O antigo primeiro-ministro cabo-verdiano Carlos Veiga também se apresentou ontem no Tribunal de Sintra e corroborou a tese de Onésimo Silveira. "A informação que tenho é a de que o terreno foi uma forma de agradecimento por uma intervenção pessoal marcante que excedeu as relações institucionais normais", disse. "Foi doado na qualidade pessoal", sublinhou.

O julgamento prossegue hoje com a audição do sobrinho de Isaltino Morais que vive na Suíça.

OUTROS DADOS

SOBRINHO

Leandro Alves, sobrinho de Isaltino Morais, residente na Suíça, era, de acordo com a Acusação, o titular de uma conta naquele país, onde o autarca fazia depósitos avultados em numerário para ocultar as verbas.

PÁROCO

Na sessão de ontem foi ouvido o pároco de Oeiras, Fernando Martins, que classificou Isaltino Morais como um "homem bom, com profundo sentido dos outros". O sacerdote garantiu ainda que o autarca é um "grande obreiro".

ARGUIDO

Isaltino Morais exaltou-se com o procurador do Ministério Público na sessão de ontem, quando este afirmou que o autarca cometeu crime de abuso de poder. A juíza teve de pedir a Isaltino que se acalmasse.

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