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Correio da Manhã

Política
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CAMPANHA DE APITOS E CARTÕES

José Ribeiro e Castro, eurodeputado entre 1999-2004 e 9.º candidato da coligação ‘Força Portugal’, falou ao CM sobre a actual campanha eleitoral e teceu várias críticas aos socialistas
7 de Junho de 2004 às 00:00
CAMPANHA DE APITOS E CARTÕES
CAMPANHA DE APITOS E CARTÕES FOTO: Tiago Sousa Dias
Correio da Manhã - Como vê a troca de insultos que está a marcar a campanha?
Ribeiro e Castro - Acho que isso é negativo. Ainda outro dia o dr. António Costa dizia que se recusava a aderir ao campeonato de insultos e depois acusava o CDS-PP de se ir juntar a um pequeno grupo de extrema-direita que é liderado pelos fascistas italianos. Bom, isto não só é um insulto, como revela ignorância. O partido mais relevante do grupo que o CDS integra é o do governo irlandês. No PS vemos que vai o dr. Sousa Franco com um apito à frente, o dr. António Costa com um cartão, a dr.ª Ana Gomes com um apito... porque o que ressalta da campanha são apitos e cartões.
- Não acha que o CDS-PP perde protagonismo com uma campanha conjunta?
- É possível, mas essa foi a opção que os órgãos directivos do partido fizeram. Aliás, ainda outro dia ouvi um candidato do PS acusar-nos de oportunismo, porque era a forma de colocarmos dois deputados. bom, devo dizer que creio que o CDS renunciou à possibilidade de eleger o terceiro deputado.
- O CDS-PP e o PSD concorrem coligados, mas no PE vão manter-se em grupos separados, isso não é contraditório?
- Não. Nós estamos coligados, mas somos grupos parlamentares diferentes. No PE é um pouco da mesma maneira, com uma vantagem: é que isso normalmente potencia o conjunto. É muito melhor estarmos em dois grupos diferentes, porque em questões decisivas para Portugal poderemos mobilizar os interesses de dois grupos políticos.
- A falta de interesse dos cidadãos pelos assuntos europeus é notória, como é que isto se pode combater?
- Realizar um referendo sobre a participação na União Europeia em todos os Estados-membros seria extremamente importante para conseguir essa aproximação entre a Europa e os cidadãos.
- Mas isso não seria mais um motivo para os partidos trocarem acusações sobre questões internas?
- Espero que não, mas depende do tempo, do texto desse referendo e do espírito com que for encarado. Espero que não se passe num eventual referendo aquilo que se está a passar, pelo lado da oposição, nestas eleições europeias, que é quererem transformá-las em eleições nacionais, chamando-lhe a segunda volta das autárquicas ou a primeira volta das legislativas, esquecendo, por completo, o resto do debate.
CDS-PP ESPERA PEDIDO DE DESCULPAS
Após a realização desta entrevista, a troca de acusações entre PS e a coligação 'Força Portugal' voltou a dominar a campanha, pelo que Ribeiro e Castro quis deixar clara a sua posição e a do seu partido sobre a matéria.
"Acusações de racismo, xenofobia, extrema direita, são insultos graves e caluniosos e constituem uma verdadeira enormidade, como já tenho demonstrado nesta campanha eleitoral com factos abundantes a que este extremismo socialista não é capaz de responder. E não é capaz de responder porque sabe que não tem razão", referiu o candidato da 'Força Portugal'.
Ribeiro e Castro sublinhou que o seu partido ainda espera um pedido de desculpas. "Continuamos à espera que nos sejam apresentadas as desculpas que nos são devidas ou ao, menos, rectificadas estas gravíssimas ofensas, que atingem a própria presidência da União Europeia, hoje exercida por um parceiro do nosso grupo político no Parlamento Europeu", adiantou o eurodeputado.
PERFIL
José Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa, a 24 de Dezembro de 1953. Licenciou--se em Direito em 1975 e foi jurista até 1988. Foi secretário de Estado adjunto do vice-primeiro-ministro Freitas do Amaral em 1980 e entre 1981 e 1983, presidente da Comissão de Fiscalização da RTP entre 1987 e 1991, director do Conselho Superior da Acção Social entre 1991 e 1992 e director de Informação da TVI entre 1994 e 1995.
Entre 1997 e 1998 foi vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica. Ribeiro e Castro foi, ainda, deputado à Assembleia da República (1976-1983) e ao Parlamento Europeu (1999-2004).
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