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Correio da Manhã

Política
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Candidatos a líder dão o tudo ou nada

A onze dias do Congresso extraordinário do PSD, os dois candidatos à liderança do partido, Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, entram hoje na recta final com os últimos preparativos para o grande dia.
28 de Março de 2005 às 00:00
Marques Mendes passou o último fim-de-semana na sua casa de férias no Algarve a preparar a moção que vai apresentar no Congresso, que decorre nos dias 8, 9, 10 de Abril. Já Filipe Menezes regressa hoje à noite de umas férias com a família no estrangeiro e deverá reunir-se, durante esta semana, com os delegados ao evento.
O Correio da Manhã sabe que a moção de Marques Mendes teve a coordenação do ex-líder da JSD, Pedro Passos Coelho, provável secretário-geral do PSD se aquele candidato vencer a disputa, e do antigo ministro do Mar, Azevedo Soares. Paula Teixeira da Cruz, que integrou a lista de Marques Mendes no Congresso do PSD em Viseu, também deu o seu contributo ao documento.
Para os últimos dias de campanha, o candidato agendou apenas duas sessões de esclarecimento. Marques Mendes parte amanhã para a Madeira, onde irá realizar uma delas, e termina a ‘Volta a Portugal’, nome da sua campanha, no dia cinco de Abril com outra sessão em Aveiro. O CM tentou contactar com os responsáveis pela candidatura de Luís Filipe Menezes, mas até ao fecho desta edição não foi possível. Desconhece-se, assim, se o autarca de Gaia já terá preparado a sua moção.
Os custos das campanhas dos dois candidatos à liderança do PSD são suportados pelos próprios. Por se tratar de uma campanha interna, o PSD não contribui financeiramente para a sua realização. Os dois candidatos tiveram de optar por ‘apertar o cinto’. Marques Mendes desloca-se na própria viatura, sendo os jantares pagos pelos próprios apoiantes. Já Filipe Menezes optou por não promover jantares, preferindo realizar sessões de esclarecimentos.
MENDES APONTA PARA CENTRO
O primeiro objectivo de Marques Mendes é apostar na recolocação do PSD no centro político social-democrata. O candidato pretende afastar a hipótese de formar coligação com o CDS-PP, para garantir a autonomia de um projecto PSD. A revisão do programa do partido, reavivando o debate político e a colaboração activa da sociedade civil é outra das metas traçadas. Face à derrota do PSD nas legislativas, Marques Mendes quer apostar numa oposição firme e com uma agenda política própria. O candidato garante que estará atento às áreas das finanças públicas, da economia e das políticas sociais. Em relação às eleições autárquicas, Mendes quer que o PSD concorra sozinho, mas admite analisar caso a caso eventuais coligações apresentadas por estruturas locais e distritais. Para as presidenciais, Cavaco Silva é o candidato preferido.
MENEZES APOSTA NA RENOVAÇÃO
Luís Filipe Menezes, enquanto candidato a líder do PSD, aposta na renovação da equipa do partido. O autarca de Gaia quer renovar os quadros sociais-democratas, apostando nos jovens e nas mulheres. Menezes quer também “recentrar” o PSD na matriz social-democrata que presidiu à sua fundação. O candidato defende a institucionalização das eleições do presidente do partido por sufrágio directo e universal. Para as autárquicas, Menezes tenciona aumentar o número de presidências do PSD. Para tal, Filipe Menezes garante que irá candidatar-se a uma câmara e já desafiou Marques Mendes a fazer o mesmo. O autarca acrescenta ainda que o PSD irá concorrer isoladamente a todas as eleições de cariz nacional até 2009 e alerta para a necessidade de se eleger um Presidente da República social-democrata. O candidato garante que, se ganhar, o PSD será liberal na economia, mas não cederá nas políticas sociais.
IDEIAS FORTES
Sou candidato à liderança para recentrar o partido na matriz social-democrata que presidiu à sua fundação.
Luís Filipe Menezes
O PSD não pode ser visto como partido da direita populista, que não é, que nunca foi e que nunca deve ser. Temos de reconquistar o centro social-democrata.
Marques Mendes
Como líder apresentarei uma equipa radicalmente renovada que romperá com acordos de bastidores, com equilíbrios de interesses e com a obsessão de arregimentar apoios a qualquer preço.
Luís Filipe Menezes
Considero chegada a hora de adaptar o programa do PSD às novas realidades do País e aos desafios dos tempos modernos.
Marques Mendes
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