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Correio da Manhã

Política
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Carmona bate Carrilho

Na disputa pela liderança da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Manuel Maria Carrilho sairia vencedor se o seu adversário fosse Santana Lopes. O mesmo já não acontece se na corrida estivesse Carmona Rodrigues.
26 de Março de 2005 às 00:00
De acordo com uma sondagem Correio da Manhã/Aximage, o antigo ministro da Cultura do PS vence o confronto com o líder demissionário do PSD com 58,5 por cento das intenções de voto contra 32,1 por cento, mas perde com Carmona Rodrigues, vice-presidente da CML, por uma diferença de 0,6 pontos percentuais. Carmona Rodrigues vence Manuel Maria Carrilho com 47,2 por cento das intenções de voto contra 46,6 por cento. Esta é mesmo a vitória menos significativa de Carmona Rodrigues uma vez que vence também os restantes duelos com João Soares, Ferro Rodrigues e Mega Ferreira.
Com o ex-presidente da CML, João Soares, que perdeu a liderança para Santana Lopes, Carmona Rodrigues vence com 52,3 por cento das intenções de voto contra 42,1 por cento, enquanto com Ferro Rodrigues ganha com 52,5 por cento, contra 41,8 por cento. A vitória onde Carmona Rodrigues registou uma maior vantagem foi com Mega Ferreira: 53,5 por cento dos votos, contra 37,4 (uma diferença de 16,1 pontos percentuais).
Já Santana Lopes perde em todos os confrontos. O autarca de Lisboa é derrotado por João Soares com uma diferença de 21,1 pontos percentuais (54,1 por cento contra 33), enquanto com Mega Ferreira, Santana perde por 17,2 pontos percentuais (49,9 por cento, contra 32,7). A derrota menos significativa do líder do PSD é com Ferro Rodrigues. O ex-líder socialista ganha com 52,3 por cento, contra 35,4 por cento uma diferença de 16,9 pontos percentuais.
Quanto a possíveis coligações, 48,9 por cento dos inquiridos preferem que o PSD e o CDS concorram sozinhos, enquanto 30,6 por cento querem coligação. Do lado do PS, 64,7 por cento quer que o partido concorra sozinho. Na hipótese de coligação, a junção do PS com a CDU e com o BE é a preferida, com 11,3 por cento dos votos. Uma coligação entre o PS e a CDU reuniu 6,9 por cento das preferências, enquanto que com o BE reuniu apenas 3,3 por cento.
FICHA TÉCNICA:
OBJECTIVO: Intenção de voto na Câmara de Lisboa UNIVERSO Eleitores residentes no concelho de Lisboa em lares com telefone fixo.
AMOSTRA: Aleatória estratificada por sexo, idade, actividade, instrução e voto legislativo, polietápica e representativa do universo, com 600 entrevistas telefónicas (312 a mulheres) COMPOSIÇÃO: Proporcional pelas variáveis de estratificação RESPOSTAS: Taxa de resposta de 73,5 por cento. Desvio padrão máximo de 0,020.
REALIZAÇÃO: 22 a 23 de Março, para o Correio da Manhã pela Aximage, com a direcção técnica de Jorge Sá.
AUTARCAS DO PSD DEVEM SER CANDIDATOS
Uma recandidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa (CML) obedece às linhas gerais da estratégia do PSD aprovada no último congresso. Estratégia essa que “passa pelo apelo à recandidatura daqueles autarcas que estão no exercício do cargo em primeiro mandato”. Quem assim pensa é o presidente dos Autarcas Social Democratas (ASD), Manuel Frexes.
Em declarações ao Correio da Manhã, Manuel Frexes explicou que em Lisboa também aplica essa norma (extensível, aliás, às juntas de freguesia), pelo que, se “Pedro Santana Lopes quiser recandidatar-se, teria condições”. O Presidnete dos ASD observou, no entanto, que uma candidatura a Lisboa, dada a sua singularidade “deve ser tratada pelo líder do partido” que será eleito no próximo congresso, marcado para os dias 8 a 10 de Abril, em Pombal.
O presidente dos ASD considera também que a escolha do líder do partido deve articular-se com a decisão íntima e a vontade do candidato”.
Os ASD já definiram a sua estratégia para as próximas eleições autárquicas de Outubro e será expressa na moção que vão apresentar ao próximo congresso sob o lema ‘Rumo à vitória nas Autárquicas 2005”.
RAPOSO DEFENDE COLIGAÇÃO MAS AVISA O PCP
O presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS, Joaquim Raposo, avisou o PCP que uma possível coligação de esquerda para a Câmara da capital “não pode obedecer às mesmas condições estabelecidas no tempo do Dr. Jorge Sampaio”.
Em declarações ao CM, Joaquim Raposo manifestou-se favorável a uma coligação em Lisboa nas próximas eleições autárquicas de Outubro, “mas desde que envolva o PCP e o BE”. O presidente da Câmara da Amadora chama a atenção para o que considera ser uma “nova realidade política em Lisboa”. E essa realidade política é um aumento considerável de votos no PS e no BE nas últimas eleições legislativas. Assim, defendeu que “uma eventual coligação deve levar em conta o peso específico de hoje de cada partido”. A entrada do BE na coligação em Lisboa pode dificultar um entendimento entre socialistas e comunistas, mas, segundo o presidente da FAUL, o “PS não quer ganhar a qualquer preço”.
Joaquim Raposo sublinhou que a estratégia e a escolha do candidato do PS a Lisboa, “que deverá ser tomada nos próximos dias, cabe ao secretário-geral do PS e ao coordenador autárquico, Jorge Coelho depois de ouvidas a Concelhia de Lisboa e a FAUL”. De qualquer modo, a sua opinião é a de que Manuel Maria Carrilho é um bom candidato. “O único que mostrou vontade de ser candidato foi Manuel Maria Carrilho. Ele movimenta-se bem nos meios culturais na sociedade civil (…)”, disse Raposo, acrescentanto: “Agora tem de pensar mais na parte do PS”.
Questionado também sobre a disponibilidade João Soares em ser candidato, Raposo responde com ironia: “O Dr. João soares estava á espera de uma vaga de fundo!”.
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