Segundo José Luís Carneiro, situação é visível quando o PSD "faz um congresso para atacar a oposição e não para falar do país".
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerou, esta quinta-feira, que o ex-candidato presidencial Luís Marques Mendes "pôs o dedo na ferida" ao falar da necessidade de humildade democrática, algo de que, "no mínimo, o Governo tem falta".
"Julgo que é evidente para todos, tem faltado humildade política" ao Governo, afirmou o líder socialista, em declarações aos jornalistas em Nisa, no distrito de Portalegre, no âmbito da "Rota pelo Interior e Cooperação Transfronteiriça", que está a realizar pelo país.
Segundo José Luís Carneiro, essa situação é visível quando o PSD "faz um congresso para atacar a oposição e não para falar do país" ou com a própria Universidade de Verão deste partido, que está a decorrer em Castelo de Vide, igualmente no distrito de Portalegre.
A universidade do principal partido que sustenta o Governo deveria servir para "transmitir bons valores e bons princípios aos mais jovens", mas não é isso que tem acontecido, segundo Carneiro.
"Quando faz dessa universidade de verão um ataque despudorado às oposições, é um governo, no mínimo, [que] tem falta de humildade democrática e, portanto, Luís Marques Mendes pôs o dedo na ferida", afiançou.
Na quarta-feira à noite, num jantar-conferência da Universidade de Verão do PD, ex-candidato presidencial Marques Mendes avisou que não se pode viver em "campanha eleitoral permanente" e pediu aos partidos "humildade democrática" e que olhem para os exemplos de Francisco Pinto Balsemão ou Mário Soares para conseguir alguns entendimentos.
Luís Marques Mendes falava duma iniciativa de homenagem ao militante número um do PSD, Francisco Pinto Balsemão, que morreu a 21 de outubro do ano passado.
Para o secretário-geral do PS, "a palavra do doutor Luís Marques Mendes foi muito importante", numa "universidade do verão do PSD que tinha estado consecutivamente a ouvir ataques à oposição, no fundo o Governo a fazer oposição à oposição, por vezes até de forma pouco diplomática".
E, continuou, "o doutor Luís Marques Mendes o que foi dizer foi que é incompreensível uma linguagem dessa natureza quando, fundamentalmente, é necessário estimular a cooperação para um Governo que está em minoria parlamentar".
Por isso, nesta deslocação a Nisa, onde o presidente da câmara, José Dinis Serra, fez uma apresentação sobre o projeto da ponte internacional que vai ser construída sobre o Rio Sever, aproximando o concelho português de Nisa ao espanhol de Cedillo, na Estremadura espanhola, o líder do PS deixou um 'recado' ao Governo.
"O Governo contará com o Partido Socialista na Assembleia da República para apoiar e para construir as soluções normativas que permitam executar estes investimentos que são essenciais para a criação de emprego, para a criação de oportunidades e de projetos de vida nestes territórios e nestas regiões", garantiu.
A ponte internacional de Nisa ou a Barragem do Pisão, no concelho de Crato, também no distrito de Portalegre, são projetos cuja concretização o PS também apoiará, prometeu José Luís Carneiro.
"São âncoras decisivas para que as mais jovens gerações que vivem nestes territórios tenham oportunidades de vida futura", disse, acrescentando que é este "combate pelas ideias, pelos projetos" que orienta a sua vida politica e que dispensa "essa espuma dos dias em que, muitas das vezes, a política parece estar enredada"
O líder do PS deslocou-se ainda ao mercado de Nisa, acompanhado pelo presidente da câmara, mas também por responsáveis regionais do PS, onde conversou com os comerciantes e populares, aos quais foram entregues 'brindes', como chapéus, leques ou panfletos do PS e t-shirts com o rosto do José Luís Carneiro.
Questionado pelos jornalistas sobre se esta visita teve algum 'sabor' a campanha eleitoral, o líder socialista disse entender que não, que faz parte do seu "trabalho político normal" e que os políticos devem ouvir a população, qualificando a entrega do material de propaganda como "um carinho" para as pessoas com quem contacta.
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