José Luís Carneiro falava no encerramento da sessão evocativa os 50 anos da tomada de posse do I Governo Constitucional, liderado por Mário Soares, na sede nacional do PS, em Lisboa.
O secretário-geral do PS afirmou hoje que as mudanças pelo I Governo Constitucional, "sem maioria absoluta", dependeram da capacidade de diálogo e "construir consensos" e defendeu que "a democracia exige coragem para decidir".José Luís Carneiro falava no encerramento da sessão evocativa os 50 anos da tomada de posse do I Governo Constitucional, liderado por Mário Soares, na sede nacional do PS, em Lisboa.
Carneiro considerou que esse executivo de Soares, resultante das primeiras eleições legislativas após o 25 de Abril, "recusou soluções fáceis e populistas", sublinhando o seu papel no lançamento das "bases para a despartidarização da Administração Pública", promoção da justiça, pluralismo na comunicação social, o afastamento das Forças Armadas das funções de segurança civil e na aposta no "lugar de Portugal no mundo".
"Estava assim a erguer os pilares de um verdadeiro Estado de direito democrático", disse, salientando ainda que esse Governo, "no plano interno, promoveu o poder local democrático, avançou com a autonomia regional e apostou na reconciliação nacional, criando condições para sarar divisões e unir os portugueses em torno de um projeto comum".O secretário-geral socialista enfatizou que "tudo isto foi feito sem maioria absoluta" e "com diálogo, com respeito pelas instituições e com um profundo sentido de responsabilidade democrática", salientando que uma das "maiores lições" deste executivo é de que "a democracia não se afirma pela imposição, mas pela capacidade de construir consensos e de respeitar a diversidade de opiniões".
Depois de defender que o contributo do PS e de Mário Soares "foi decisivo" e que o I Governo Constitucional demonstrou que "era possível governar com firmeza e, ao mesmo tempo, moderação", rejeitando "tanto radicalismos como tentações autoritárias", Carneiro enumerou os que considera serem os atuais desafios democráticos."A desconfiança nas instituições, a polarização, a atomização das sociedade e dos indivíduos, os discursos populistas, a tentação de soluções simplistas para problemas complexos. O exemplo do I Governo Constitucional lembra-nos que a resposta não está no abandono dos princípios democráticos, mas no seu aprofundamento", disse.
O secretário-geral do PS defendeu que "governar é escolher com responsabilidade, é respeitar as regras, é fortalecer as instituições e é colocar o interesse coletivo acima de agendas imediatas e oportunistas" e "democracia exige coragem para decidir, coragem para dialogar e coragem para resistir a tudo o que a possa fragilizar".Para Carneiro, este caminho "não é fácil", dado o que encara como um cenário atual de "hiperpolítica inconsequente" que "quer respostas céleres e simplistas ao virar da esquina".
O líder socialista concluiu o discurso citando as palavras de Soares, que apontava "a habitação, a assistência médica e hospitalar e a segurança social como as "grande carências do povo português", e afirmando o legado do seu primeiro Governo "não pertence apenas ao passado", mas "é uma exigência permanente no presente e uma responsabilidade para o futuro"."Cabe-nos a nós estar à altura dos caminhos que então foram abertos", rematou.
Antes, intervieram nesta sessão a historiadora Maria Inácia Rezola e o professor catedrático da Universidade Católica José Miguel Sardica, o antigo membro do I Governo Constitucional Rui Vilar, e Isabel Soares, filha de Mário Soares. O I Governo Constitucional, chefiado pelo socialista Mário Soares, tomou posse a 23 de julho de 1976 depois das eleições legislativas de 1976, as primeiras depois de aprovada a Constituição de 1976, e terminou o seu mandato em janeiro de 1978, na sequência da rejeição de uma moção de confiança.
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