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Correio da Manhã

Política
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CASO CRUZ VERMELHA É UM FAIT-DIVERS

O ministro da Defesa Nacional considera que a polémica em torno da liderança na Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) não é mais do que “um fait-divers”. Paulo Portas foi ontem ao Parlamento para explicar o processo da saída de Maria Barroso, ex-presidente da instituição e quis deixar claro o que disse à ex-primeira-dama.
15 de Julho de 2003 às 00:00
Portas recordou a Maria Barroso que a presidência da Cruz Vermelha é por nomeação e não por eleição
Portas recordou a Maria Barroso que a presidência da Cruz Vermelha é por nomeação e não por eleição FOTO: João Relvas (Lusa)
“Expliquei à dra. Maria Barroso que aquele posto é de nomeação, que tem escolhidos e não candidatos”, sublinhou o ministro numa audição de três horas na comissão de Defesa, marcada pela ausência do PCP. Os comunistas não se fizeram representar naquela comissão como sinal de protesto e o PS manteve as dúvidas iniciais sobre a saída de Maria Barroso, processo “cheio de peripécias”. Marques Júnior afirmou ao CM, inclusive, que “compreende” a posição da ex-presidente da CVP ao dizer que há a intenção de fazer desaparecer a família Soares.
O deputado António Filipe justificou que sem a possibilidade de contraditório entre Portas e Maria Barroso não faria sentido a audição, ainda que tenha sido o responsável pelo requerimento do pedido de audição dos envolvidos no processo. PS e PCP lembraram à imposição da maioria em não ouvir Maria Barroso. E ficou registada a posição dos socialistas manterem a necessidade da audição à porta-fechada como manda a tradição parlamentar daquela comissão. Facto aproveitado por Portas que preferia uma reunião à porta aberta.
Procedimentos à parte, Portas não disse nada novo. O ministro contrariou a alegada perseguição política a Maria Barroso ao traçar o seu percurso político. “ Maria Barroso é militante do PS e foi nomeada por um governo do PS. Nogueira de Brito é do CDS e foi nomeado por um Governo do CDS”. Logo, não faz sentido levantar--se a questão partidária. “Porque é que uma nomeação do PS é isenta, mas quando é o CDS que está no Poder se atribui ao processo a ideia de partidarização”, inquiriu Portas.
Depois lembrou as declarações do antecessor de Maria Barroso. Carrilho Ribeiro referiu à RR que algumas irregularidades indispuseram a tutela levando-a a intervir. Portas concluiu que a ex-presidente da CVP cumpriu os dois mandatos tradicionalmente atribuíveis desde o 25 de Abril. Fora deste contexto só o seria comparável as práticas do Estado Novo ou do Duque de Palmela, no século XIX.
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