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Correio da Manhã

Política
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Castro chama históricos

No congresso extraordinário electivo do CDS-PP, que se realiza na Batalha a 6 e 7 de Maio, o presidente do partido, José Ribeiro e Castro, não terá, em princípio, adversários de ‘peso’. Cinco figuras do partido assumem, para já, o rosto da oposição com o objectivo de discutir ideias: João Almeida, Paulo Miranda, Hélder Cravo, Ismael Pimentel e talvez Herculano Gonçalves, que ainda não indicou o nome para liderar a sua moção.
16 de Abril de 2006 às 00:00
José Luís da Cruz
José Luís da Cruz FOTO: d.r.
O líder, por seu turno, pretende reforçar a equipa. À cabeça Cruz Vilaça, fundador do CDS, e Nogueira de Brito, outro histórico, podem vir a integrar a Comissão Política Nacional e, no limite a Executiva. Essa é, pelo menos, a intenção da actual direcção centrista, segundo apurou o CM.
Ribeiro e Castro tem por objectivo, neste conclave proposto por si, reforçar a sua liderança e garantir condições de governabilidade do partido. Talvez por isso, e para demonstrar a abrangência da direcção, o presidente centrista chame históricos como Narana Coissoró e fundadores do partido. Que estiveram na génese do CDS.
Seguindo este caminho, Castro procurará também incluir mais jovens e mulheres nos órgãos principais do CDS-PP para assegurar maior base geracional entre os democratas-cristãos. E, desta forma, ‘arrumar a casa’ definitivamente. Missão que não conseguiu alcançar no último congresso, em Lisboa, quando assumiu, em plena reunião-magna, a sua candidatura. Que derrotou Telmo Correia.
Para encerrar este capítulo na vida do partido, Castro conseguiu, com o apoio de Maria José Nogueira Pinto, que cada moção tivesse uma cara. Isto é, um adversário. Facto que desagradou aos opositores que recordaram as regras da anterior reunião-magna.
Noutro ponto do figurino do conclave há ainda a eleição de delegados. O prazo de entrega de moções só termina amanhã, mas, depois, segue-se o processo eleitoral para o congresso. E poderá ser aí que alguns ex-dirigentes da anterior liderança apareçam a encabeçar as listas com o intuito de avaliar, também, o ‘peso’ real que têm dentro do CDS-PP.
As listas serão aprovadas pelo método de Hondt, proporcional. As moções poderão servir, por outro lado, para medir o pulso aos congressistas e verificar se a liderança de Ribeiro e Castro se consegue reforçar ou não na reunião-magna: em caso negativo, vencerá a estratégia de desgaste calculada.
Nas relações com o Grupo Parlamentar, a actual direcção também não descarta a hipótese de fazer convites a deputados para integrar a Comissão Política, sem ser por inerência. Falta saber quem chamarão para cumprir este objectivo.
Uma coisa é certa: Ribeiro e Castro já fez saber que pretende ser candidato a primeiro-ministro em 2009.
CONGRESSO REFORÇA SEGURANÇA
Cruz Vilaça, académico e um dos fundadores do CDS, considera que o próximo congresso extraordinário do partido servirá para reforçar a liderança de Ribeiro e Castro. “Só posso admitir que seja [o congresso extraordinário] para reforçar a liderança do Dr. José Ribeiro e Castro”, afirmou ao CM Cruz Vilaça, recordando que o presidente do partido ainda não teve tempo suficiente de liderança.
Acredita ainda que o cargo de eurodeputado do presidente democrata-cristão “é uma mais-valia”. E acrescenta: “A Democracia tem uma dimensão europeia que é incontornável. É um sinal de encaixe”, sustenta, numa altura em que se levantam, novamente, vozes contra a condição do líder ser também um eurodeputado.
O jurista critica o recurso ao argumento de que Ribeiro e Castro não pode estar em Bruxelas e ao mesmo tempo no Largo do Caldas e recorda que “há muitos dirigentes europeus no Parlamento Europeu”. Questionado pelo CM sobre a relação entre a direcção do partido e o grupo parlamentar, Cruz Vilaça avisa: “Seria uma completa irresponsabilidade fosse de quem fosse não superar quaisquer eventuais divergências.” Um reparo que o professor não quer, contudo, dar destinatário, até porque o tempo é de diálogo para ajudar o partido. Num registo de equilíbrio, Vilaça afirma: “Não espero qualquer problema desse lado [da bancada].”
PERFIL
José Luís da Cruz Vilaça, 61 anos, natural de Braga, é uma figura incontornável do partido. É um dos fundadores do CDS. Foi secretário de Estado da Administração Interna da primeira AD (1980). É advogado de profissão e foi o primeiro presidente do Tribunal de Primeira Instância das Comunidades Europeias entre 1989 e 1995.
HÉLDER CRAVO NOMEADO PELA DIRECÇÃO
Hélder Cravo, candidato à liderança do CDS-PP contra José Ribeiro e Castro, foi nomeado para a distrital de Évora pela actual direcção. Este democrata-cristão não foi eleito presidente da distrital do CDS-PP de Évora, dado não existir um número de concelhias (e de militantes) suficiente para ser eleito. Foi o próprio secretário-geral do partido, Martim Borges de Freitas, que nomeou Cravo delegado com o objectivo de criar novas concelhias em Évora. Cravo ‘recompensa’ agora a direcção candidatando-se à liderança...
LÍDER DIZ QUE NÃO FICOU SURPREENDIDO
José Ribeiro e Castro admitiu ontem não ter ficado surpreendido com o anúncio da candidatura do líder da Juventude Popular (JP), João Almeida, à presidência do partido. Questionado pelos jornalistas à margem de uma visita ao posto de comando da Brigada de Trânsito da GNR, no Pragal, Almada, Ribeiro e Castro admitiu que não ficou surpreendido com o anúncio da candidatura de João Almeida à liderança do CDS-PP, mas escusou-se a fazer mais declarações sobre o assunto. “Não, não fiquei. Mas o congresso é no dia 6 e 7 de Maio. Não vim aqui falar sobre isso”, afirmou, frisando que “o prazo para a entrega das moções termina na segunda-feira”.
NOTAS E DATAS
MOÇÕES
O prazo de entrega de moções com candidato a líder, obrigatoriamente, termina amanhã à meia-noite em ponto.
LISTAS
As listas de delegados a congresso devem ser entregues entre quarta e quinta-feira, dias 19 e 20. As eleições terão lugar entre 21 e 22 de Abril.
Segundo apurou o CM figuras como João Porto, João Anacoreta Correia, Sílvio Cervan, António José Barros, entre outros, deverão apresentar uma lista para delegados à reunião-magna.
MUNDO RURAL
Antes do congresso electivo e conforme foi anunciado nas últimas jornadas parlamentares em Estremoz, o CDS-PP organiza dia 22de Abril, em Oleiros, um outro conclave temático, dedicado ao tema do ‘Mundo Rural’ para discutir a situação do sector em Portugal.
A DÚVIDA
O líder da distrital do Porto, Álvaro Castello-Branco mantém a dúvida se avança ou não com uma moção ou poderá apoiar outra. Quiçá, a de João Almeida. Só amanhã se saberá.
CANDIDATOS A LÍDER
RIBEIRO E CASTRO
PERFIL
José Ribeiro e Castro, 52 anos, licenciado em Direito, é o líder do partido e eurodeputado. Avança por mais dois anos.
APOIOS
Há vários anos no Parlamento Europeu. Ribeiro e Castro fundou a JC (Juventude Centrista), e foi membro de várias direcções.
JOÃO ALMEIDA
PERFIL
João Almeida, 29 anos, finalista de Direito, é líder da Juventude Popular desde Dezembro de 1999.
APOIOS
O dirigente da 'jota', que é próximo de Telmo Correia e de Pedro Mota Soares, está na Câmara de Lisboa com Maria José Nogueira Pinto.
PAULO MIRANDA
PERFIL
Paulo Miranda, 58 anos, gestor de empresas, formalizou candidatura com a moção "Um CDS para todos".
APOIOS
O candidato foi vários anos líder CDS/Oeiras e saiu na primeira semana da actual liderança. É vice-presidente do Conselho Nacional.
HÉLDER CRAVO
PERFIL
Hélder Cravo, 52 anos, presidente da distrital de Évora, apresentou a moção "mudar para Unir" com Rosado Fernandes.
APOIOS
O dirigente do Alentejo já fez parte da Comissão Política de Paulo Portas, do Conselho Nacional e apoiou Telmo Correia no último congresso.
HERCULANO GONÇALVES
PERFIL
Herculano Gonçalves, 55 anos, bacharel em Contabilidade, é dlíder da distrital de Santarém. Apresenta moção dia 17.
APOIOS
Um crítico de Ribeiro e Castro é tido como um dos mais próximos de Portas nas estruturas locais. Portas nas estruturas locais. Apoiou Telmo Correia em conclave.
ISAMEL PIMENTEL
PERFIL
Isamel Pimentel, 46 anos, é líder concelhio da Amadora há muitos anos. Desde o tempo de Manuel Monteiro.
APOIOS
O líder concelhio pondera avançar. nos últimos congressos esteve sempre contra Portas. Foi uma voz próxima de Nogueira Pinto.
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