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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Catarina Martins pede que se resolva "gritante violação dos direitos" em Odemira

Coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou que situação tem de ser resolvida com atos e não "palavras de ocasião".

07 de maio de 2021 às 23:46

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins afirmou hoje que a situação que se vive em Odemira é "uma gritante violação dos direitos humanos" e pediu que se "resolva" a situação, ao invés de "palavras de ocasião".

"Ainda bem que hoje toda a gente reconhece que existe naquelas estufas é uma gritante violação dos direitos humanos. Se hoje se reconhece o problema, resolva-se o problema", afirmou.

Catarina Martins, que falava no Comício "STOP Precariedade, STOP Pobreza" -- iniciativa que marca o fim da contra-cimeira do BE -, sublinhou que "palavras de ocasião e meias medidas que humilham mais do que resolvam, não chegam".

"O trabalho escravo tem de ser erradicado das estufas do Alentejo e em todo o país e qualquer pessoa, independentemente da cor da sua pele ou do passaporte que traz no bolso tem direito a uma vida digna neste país", defendeu, considerando que a pandemia "cavou mais fundo as desigualdades".

"A pandemia cava mais fundo as desigualdades e afeta desproporcionalmente as pessoas mais vulneráveis, onde ameaça a sua saúde a nega um dos direitos mais básicos", disse.

No final da semana passada, o Governo decretou uma cerca sanitária às freguesias de São Teotónio e de Almograve, no concelho de Odemira, devido à elevada incidência de casos de covid-19, sobretudo entre trabalhadores do setor agrícola.

Na altura, em conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro, António Costa, sublinhou que "alguma população vive em situações de insalubridade habitacional inadmissível, com sobrelotação das habitações", relatando situações de "risco enorme para a saúde pública, para além de uma violação gritante dos direitos humanos".

Na segunda-feira, fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) disse à Lusa que o Ministério Público de Odemira tem em curso 11 inquéritos sobre auxílio à imigração ilegal para efeitos de exploração laboral.

A mesma fonte acrescentou que todos os inquéritos "estão em investigação".

No mesmo dia, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) revelou que tem a decorrer 32 inquéritos em diversas comarcas do Alentejo, seis dos quais em Odemira, pelos crimes de tráfico de pessoas, auxílio à imigração ilegal e angariação de mão-de-obra ilegal.

Também na segunda-feira, o presidente da Câmara Municipal de Odemira, José Alberto Guerreiro, estimou que, "no mínimo, seis mil" dos 13 mil trabalhadores agrícolas do concelho, permanentes e temporários, "não têm condições de habitabilidade".

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