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Correio da Manhã

Política
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Cavaco avança com Roteiro da Ciência

A completar amanhã 100 dias na Presidência da República, Cavaco Silva inicia segunda e terça feira, dias 19 e 20, o Roteiro para a Ciência. Um dossiê ‘caro’ ao governo socialista e que Cavaco Silva elegeu para o seu segundo Roteiro, depois da Inclusão.
15 de Junho de 2006 às 00:00
Analistas concordam que coabitação com o Governo tem sido empenhada e que Cavaco Silva sabe passar a mensagem
Analistas concordam que coabitação com o Governo tem sido empenhada e que Cavaco Silva sabe passar a mensagem FOTO: Pedro Catarino
Na primeira iniciativa sobre Ciência, Cavaco Silva desloca-se na próxima segunda-feira ao Porto, onde visitará a BIAL, seguida de um almoço com 25 investigadores galardoados com prémios científicos na área das Biociências e da Biotecnologia, as duas áreas que servem de ponto de partida para este segundo Roteiro presidencial.
O objectivo é o “de valorizar os cientistas e os empreendedores [na área da investigação que criaram empresas]”, conforme adiantou ao CM fonte da Presidência. Na agenda para dia 19 estão previstas duas visitas, a primeira ao Instituto de Biologia Molecular e Celular e Instituto Nacional de Engenharia Biomédica, no Porto e, a segunda, às unidades de investigação de Engenharia Biológica, de Biologia, de Ciências da Vida e da Saúde e de Biomateriais da Universidade do Minho, em Braga.
Ao segundo dia, o Presidente irá ao Centro de Biotecnologia e Química Fina e ao Centro de Incubação de Empresas da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, ainda na Invicta para verificar ‘in loco’ a ligação de universidades e empresas. Segue para Coimbra onde tem um almoço com responsáveis por projectos na área da biotecnologia. Antes, inaugura o novo edifício do Parque de Biotecnologia, de Cantanhede. Um exemplo de parceria entre empreendedores e autarquia.
Mas qual é o balanço dos 100 dias de chefia de Estado do primeiro Presidente não socialista em 20 anos?
Marcelo Rebelo de Sousa, membro do Conselho de Estado, considera que Cavaco Silva “ tem um bom relacionamento com Executivo e Parlamento, e “ainda não quer por-se em bicos de pés em matéria internacional”. A “grande novidade foi a de substituir as presidências abertas por roteiros”, concluiu.
O veto político à Lei da Paridade, a 2 de Junho, e a aposta numa “agenda” social, com o início do Roteiro para a Inclusão, marcam os 100 dias do Chefe de Estado.
Analistas como o presidente da Associação Portuguesa de Marketing Político, João Quelhas, acreditam que Cavaco Silva “já compreendeu muitíssimo bem o papel que a comunicação social tem para passar a mensagem. ”. André Freire, sociólogo, não tem dúvidas que o Presidente “não dá um passo que não seja absolutamente pensado e medido, estudado ao pormenor o que significa que é um político profissional.”
Do lado dos partidos, PSD e CDS-PP tecem elogios e não se consideram prejudicados com a “estreia” de um Presidente da sua área política. O PS está dividido, com socialistas do centro esquerda como José Lamego a enaltecer “o exercício ponderado” de Cavaco e, da ala esquerda, Medeiros Ferreira acriticar o veto à Lei da Paridade, concluindo: “Dá a sensação[ Cavaco] que ainda está a exercitar-se para o cargo”.
DATAS - CHAVE
25 de Abril - O presidente da República, sem cravo na lapela, assinala a data com o anúncio do Roteiro para Inclusão Social, contrariando as teses de analistas.
29 de Maio - Cavaco Silva inicia uma ‘viagem ao País real, pondo em prática o seu Roteiro pela Inclusão Social. Começa por Alcoutim, no distrito de Faro.
31 de Maio - Presidente elogia o “grande esforço” do ministro da Defesa, em visita ao Alfeite.
2 de Junho - Primeiro veto político: Lei da Paridade é excessiva nas sanções.
10 de Junho - Cavaco pede aos portugueses para não se resignarem
12 de Junho - Em Santarém pede fim dos atritos na Agricultura.
13 de Junho - PR pede que deixem a ministra da Educação trabalhar
A avaliação dos adversários de Cavaco silva nas eleições
PS - MANUEL ALEGRE
O deputado socialista e ex-candidato presidencial Manuel Alegre considerou “curioso que Cavaco Silva tenha escolhido tratar os temas da inclusão social e do combate à desertificação do território nacional”, temas que lançou durante a campanha eleitoral”. Ao vetar a Lei da Paridade – aprovada pelo PS e BE– Cavaco Silva revelou “conservadorismo”, afirmou à Lusa.
PS - MÁRIO SOARES
Mário Soares está fora de Lisboa e não foi possível, em tempo útil, obter um declaração, mas um dos principais impulsionadores da sua candidatura presidencial, Vítor Ramalho, afirmou ao CM que o Presidente “está à procura de agarrar designíos nacionais”. É cedo para avaliações, mas o Presidente “já se apercebeu” que tem apostar em áreas para reforçar auto-estima, diz.
PCP - JERÓNIMO DE SOUSA
Jerónimo de Sousa começou por criticar o facto de Cavaco Silva não ter visitado um concelho CDU durante o seu roteiro para a inclusão no Alentejo e depois, concordou com o veto político à Lei da Paridade. “É mais fácil atravessar o Guadiana sem molhar os pés do que atravessar o Alentejo e não ir a uma câmara da CDU”, declarou o secretário-geral do PCP.
BE - FRANCISCO LOUÇÃ
“O Presidente da República tem sido extremamente passivo e alinhado com a governação de José Sócrates”, considerou o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, e ex-candidato, no balanço dos 100 dias de Cavaco Silva em Belém. Com críticas ao veto político da Lei Paridade, Louçã classificou ainda o gabinete da Casa Civil como “o mais sectário de sempre”.
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