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Correio da Manhã

Política

Cavaco condecora Santana Lopes

Ano e meio depois de Santana Lopes ter reivindicado uma condecoração para si próprio, o Presidente da República vai atribuir, terça feira, a grã-cruz da Ordem de Cristo ao agora vereador em Lisboa, a quem apelidou de "a má moeda".
16 de Janeiro de 2010 às 00:30
A grã-cruz é dada pelo exercício de funções “de alto relevo”.
A grã-cruz é dada pelo exercício de funções “de alto relevo”. FOTO: Pedro Catarino

O caso remonta a 2004, quando Cavaco lembrou que "a má moeda expulsa a boa moeda", fazendo um paralelismo entre a Lei de Gresham e a expulsão de bons políticos por maus políticos. As palavras de Cavaco, publicadas no semanário ‘Expresso’, ficaram para sempre coladas à queda do Executivo liderado por Santana Lopes, por decisão do então Chefe de Estado, Jorge Sampaio. "(...) foi uma conjugação de esforços para deitar abaixo essa coligação e substituí-la pela governação do PS. (...) Cavaco Silva queria fazer tudo para ser eleito Presidente", acusou Santana, em 2006, no livro ‘Percepções e Realidade’. A velha questão foi retomada em 2009, através de um artigo no semanário ‘Sol’, onde o vereador desafiou Cavaco a dizer o que pensava da ‘boa e da má moeda’.

Após uma troca de palavras quentes ao longo dos anos, o agora Presidente da República condecora Santana Lopes, juntamente com outras personalidades "que exerceram funções públicas de alto relevo", segundo um comunicado do Palácio de Belém.

O encontro poderá assinalar as tréguas entre os dois políticos, já que, em 2008, Santana reclamou no seu blogue o facto de nunca ter sido condecorado. "Fui autarca, presidente de duas câmaras (...) primeiro-ministro", lembrou. Contactado pelo CM, Santana recusou comentar esta distinção. "Só depois", assegurou.

'A VERDADE' DO ASSESSOR

Quatro meses depois do ‘Caso das Escutas’, que implicou o seu afastamento do cargo de assessor de imprensa de Cavaco Silva, Fernando Lima quebra o silêncio.

Segundo o ‘Expresso’ na sua edição online, o agora assessor do gabinete do chefe da Casa Civil assina hoje um artigo de opinião no semanário, onde fala pela primeira vez sobre a polémica das escutas a Belém, que levaram ao seu afastamento em Setembro, por decisão do Presidente da República. Num texto intitulado ‘A minha verdade’, Fernando Lima refere-se ao caso como uma "trama que raia o incrível". Fala também de uma "teia bem urdida pelo fértil imaginário dos criadores de factos políticos". O silêncio é agora quebrado por considerar que chegou o momento de "exercer o direito ao esclarecimento", após ter visto em causa o seu bom nome

SAIBA MAIS

UM SÓ GRÃO-MESTRE

São três as espécies de ordens honoríficas portuguesas – Militares, Nacionais e de Mérito Civil – e o Presidente da República é o grão-mestre de todas elas. Como insígnia da sua função, usa a Banda das Três Ordens.

1319

Foi quando D. Dinis, o Lavrador, ratificou a Ordem de Cristo, criada por bula do papa português João XXI.

1918

Marca a reformulação da Ordem de Cristo como antiga ordem militar portuguesa, depois de ser extinta pela República em 1910.

MAIS CONDENCORADOS

Com Santana Lopes, são também condecorados, no dia 19, o conselheiro Manuel Santos Serra, antigo presidente do Supremo Tribunal Administrativo, Alberto Romão Madruga

e Fernando Machado Menezes, ex-presidentes da Assembleia Legislativa dos Açores, com a Ordem do Infante D. Henrique.

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