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Correio da Manhã

Política
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Cavaco defende aposta nas províncias

No último dia da visita de Estado, Cavaco Silva manteve-se fiel às questões económicas, que dominaram a sua estadia em Angola, e que logo no primeiro dia asseguraram o pagamento da dívida angolana de dois mil milhões de euros às empresas portuguesas.
23 de Julho de 2010 às 00:30
Em Benguela, Cavaco foi recebido por uma multidão
Em Benguela, Cavaco foi recebido por uma multidão FOTO: Miguel A. Lopes

Na abertura do Fórum empresarial Angola-Portugal, o Presidente da República apelou à necessidade de os portugueses apostarem nas províncias de Angola fora de Luanda, lembrando que o papel da capital pode servir de "plataforma de acesso aos restantes países da África Austral".

O dia de hoje significa para Cavaco Silva um virar de página. O Presidente vai encontra-se com José Sócrates para participar na discussão mais polémica do momento no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): a adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da CPLP.

Com estatuto de observador da CPLP desde 2006, a Guiné Equatorial tem intensificado esforços diplomáticos para integrar a comunidade como membro de pleno direito. Este apelo estará hoje no centro das atenções dos Chefes de Estado e de Governo que marcam presença na VIII Cimeira da CPLP. A discussão não será pacífica.

A eventual adesão da Guiné Equatorial à CPLP tem esbarrado numa série de críticas por parte de organizações internacionais e responsáveis políticos dos estados lusófonos, que apontam o dedo às violações dos direitos humanos e cívicos e ao facto de a Língua Portuguesa não ser falada no país.

O primeiro-ministro, que ontem chegou a Angola para participar neste encontro, falou aos jornalistas para lembrar que a questão da Guiné Equatorial não será decidida, apenas discutida. "Nem Portugal, nem nenhum outro país, vai dar voto nenhum", garantiu Sócrates. "Vamos apenas registar que esse país quis aderir. Vamos analisar o pedido, e dizer que o recebemos com agrado", acrescentou.

Já o Presidente da República não reservou espaço na sua visita oficial para comentar esta questão.

PORTUGUÊS É PRIORIDADE

O Governo angolano apresentou ontem as prioridades para a sua presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que hoje se inicia com a VIII Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP. A promoção da Língua Portuguesa, diplomacia e concertação política e cooperação e desenvolvimento estarão em destaque.

A Língua Portuguesa centrou igualmente a visita oficial de Cavaco Silva a Angola, que ontem se deslocou à União dos Escritores Angolanos (UEA), onde felicitou o trabalho que têm feito pela difusão do Português em Angola. O Presidente da República apelou igualmente para que se dê cada vez mais estímulo às crianças para a leitura, em Angola como em Portugal. "Espero também que haja muito mais escritores angolanos a participar em feiras portuguesas", acrescentou Cavaco Silva.

Ainda na véspera da Cimeira da CPLP, o Chefe de Estado visitou uma escola de formação de professores em Benguela, onde defendeu o aumento em "dez vezes" do número de portugueses a formar professores no país de José Eduardo dos Santos.

Sobre o projecto Saber Mais, de formação de professores angolanos, Cavaco Silva considerou ser "uma aposta numa prioridade angolana, a formação dos recursos humanos. Um contributo português para o desenvolvimento de Angola na medida em que se formam aqueles que farão a Angola do futuro".

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