O antigo Presidente da República afirma não estar surpreendido com o aumento da idade da reforma para os 69 anos.
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Cavaco Silva dramatiza que Portugal está "a caminhar para ser a ‘lanterna vermelha’ em termos de desenvolvimento, em termos de rendimento per capita dos países da zona do Euro", repetindo os alertas que já tinha deixado em fevereiro e intensificando-os com base nas mais recentes previsões de crescimento do FMI para a economia nacional.
"Se olhar às taxas de crescimento de Portugal e dos países da zona euro que fazem parte do nosso pelotão – que são a Estónia, Letónia, Lituânia, Eslovénia, Eslováquia e Grécia – verifica-se que a taxa de crescimento de Portugal é muito inferior à de todos esses países. Mas não é de uma décima nem de duas décimas. É muito, muito inferior", resumiu o ex-Presidente da República.
Em entrevista à Renascença, Cavaco Silva frisou que, a confirmarem-se estas estimativas, o país "dá mais um passo" para se afundar no comparativo com os parceiros do Euro. "Já fiz algumas referências que podem influenciar a situação em que nos encontramos, como opções erradas feitas no domínio fiscal, opções erradas no domínio da despesa pública, a baixa produtividade de Portugal [ou] a falta de investimento que está ainda muito aquém da trajetória que tinha antes de 2011", acrescentou.
Questionado sobre o estudo acerca da insustentabilidade da segurança social que sugere que sejam adoptadas medidas, como o aumento da idade da reforma para os 69 anos, Cavaco Silva afirma não estar surpreendido. "A previsão é de que, daqui a não muitos anos, mas com certeza depois de 2030, as reformas passem a situar-se e um nível bastante superior aos 65 anos que até aqui se conheciam. Fala-se mesmo que, perto de 2050, as reformas passem a situar-se não muito longe dos 80 anos", afirmou.
Considerando a moeda única usada em 19 países como "o ativo europeu mais precioso que a [sua] geração deixa aos jovens", o antigo primeiro-ministro e chefe de Estado deixou ainda a crença de que Portugal "não será atingido [pelo Brexit] mais do que a média da União Europeia e, provavelmente, até o será menos".
"As nossas exportações de bens para o Reino Unido são menos de 3%. O turismo é importante, mas eu penso que o turismo depende mais da depreciação da libra esterlina do que das facilidades que resultam de um Brexit suave. Portugal não está na situação de uma Holanda, de uma Bélgica, de uma Irlanda. Para esses países, a saída sem um acordo do Reino Unido da União Europeia é um verdadeiro choque assimétrico, atingindo-os de uma forma muito forte", argumentou.
Aos microfones da mesma rádio, que concentrou esta entrevista nos temas europeus, Cavaco Silva quis ainda sublinhar que "nunca [foi] comentador televisivo" e, citando um cálculo recente sobre a presença de quase uma centena de personalidades ligadas à classe política nos ecrãs de televisão, considerou mesmo que esse é "um dos grande males neste momento, em Portugal".
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