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Correio da Manhã

Política
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Cavaco é candidato dia 20

Um dia depois das eleições autárquicas, Cavaco Silva definiu ontem a data para anunciar ao País que é candidato presidencial em Janeiro de 2006.
11 de Outubro de 2005 às 00:00
No próximo dia 20 deste mês, o antigo primeiro-ministro explicará aos portugueses as razões da sua decisão no Centro Cultural de Belém, obra emblemática dos seus governos. Sobre os resultados da noite eleitoral, o ex-líder do PSD “gostou”, embora nada altere à sua estratégia.
“Um Presidente da República lida sobretudo com os governos e não com os presidentes de câmara”, conforme referiu ao CM fonte da sua candidatura.
Apesar de fontes próximas da sua candidatura ainda colocarem reservas a uma confirmação oficial do dia do anúncio da entrada na corrida a Belém, o dia 20 é a data apontada para um evento onde Cavaco Silva procurará demonstrar a diferença face a Mário Soares. Uma conferência de Imprensa, em vez de uma declaração, será nota marcante de um estilo que Cavaco quer dar à sua campanha.
Responderá às perguntas dos jornalistas e “está muito melhor com contacto com as pessoas”, como confidenciou ao CM outra fonte da sua candidatura. Recorde-se que a estratégia de Mário Soares passa por apostar no maior número de debates possíveis. O ex-Presidente da República quer explorar as ‘fragilidades’ do seu adversário no confronto político e, nesse sentido, Cavaco quer provar o contrário. Falta saber se Soares o desafiar o Professor aceitará o repto.
No dia 20, o discurso de Cavaco Silva será virado para o papel do Chefe de Estado sobre o combate do pessimismo dos portugueses. Um registo, aliás, usado em Vila de Rei quando o ex-líder do PSD fez um apelo à não resignação dos portugueses.
Na semana seguinte, apresentará no Porto, no Museu dos Transportes na Alfândega, a sua comissão de honra e mandatários distritais, na sua maioria, figuras independentes.
O PSD, por seu turno, só discutirá oficialmente, o tema das presidenciais depois de dia 20. A estratégia, aliás, estará concertada com Cavaco Silva que prefere afastar-se da lógica partidária. Segundo apurou o CM, formalmente, a direcção do PSD não tem mantido contactos com o Professor ao contrário de Marques Mendes, que tem estabelecido “alguns contactos pessoais” com o ex-líder social-democrata.
Mais à direita, António Pires de Lima afirmou à Lusa que o CDS-PP não pode declarar “apoio cego” ao ex-primeiro-ministro. Deve, antes, discuti-lo em Conselho Nacional e saber se Cavaco está disposto a ser “uma agente reformista” para permitir a revisão constitucional e não promover o afunilamento do sistema político no bloco central.
Paulo Portas, por seu turno, não deverá candidatar-se, segundo revelaram ao CM fontes próximas do ex-líder democrata-cristão.
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