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Correio da Manhã

Política
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Cavaco: É "masoquismo" dizer que dívida é insustentável

O Presidente da República portuguesa criticou políticos e analistas sobre estado da dívida pública nacional.
2 de Outubro de 2013 às 21:39
Aníbal Cavaco Silva com o Presidente do Parlamento sueco, Per Westerberg (à esquerda), durante a sua visita oficial à Suécia
Aníbal Cavaco Silva com o Presidente do Parlamento sueco, Per Westerberg (à esquerda), durante a sua visita oficial à Suécia FOTO: Inácio Rosa/Lusa

Cavaco Silva questionou esta quarta-feira a razão por que analistas e políticos dizem que a dívida portuguesa não é sustentável, considerando que essa atitude é "masoquismo", durante a sua visita de Estado em Estocolmo.

"Surpreende-me que em Portugal existam analistas e até políticos que digam que a dívida pública não é sustentável", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas em Estocolmo durante a viagem oficial do Presidente da República Portuguesa à Suécia, que se realiza desde terça-feira.

Sublinhando que os próprios credores, a comissão, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Europeu dizem que "é sustentável", Cavaco Silva questionou por que são os próprios portugueses, que são os "devedores", a dizer que não é sustentável. "Só há uma palavra para definir esta atitude: masoquismo", afirmou.

Depois de na terça-feira ter manifestado a sua convicção de que Portugal não precisará de um segundo resgate, Cavaco Silva disse hoje ter a ideia de que os parceiros dos portugueses preferem que, se o país "se comportar bem", o problema "seja resolvido no quadro do mecanismo europeu de estabilidade, porque os resgates têm sempre de ir aos parlamentos nacionais, discussões que não são fáceis".

Contudo, acrescentou, é necessário chegar ao fim do programa de ajustamento com "um cumprimento que mereça uma classificação positiva".

"CAMINHO NÃO SERÁ FÁCIL"

Quanto à oitava e nova avaliação da 'troika' que está a decorrer, o chefe de Estado recusou especular sobre o resultado, argumentando que também não conhece qual será o "desenho" do próximo Orçamento do Estado.

"Devemos esperar para ver como é que vai ser percorrido um caminho que não será fácil até à aprovação do Orçamento e depois até ao mês de junho de 2014", disse.

Nas declarações que fez esta noite aos jornalistas, Cavaco Silva recuperou ainda a ideia transmitida segunda-feira numa entrevista a um diário sueco de não existir "nenhuma razão histórica" para as obrigações do Estado português atingirem taxas de juro de sete por cento.

Salientando que proferiu essa afirmação de alguma forma inspirado pelo que consta no relatório da Standard & Poor's e na declaração feita pelo ministro das Finanças da Alemanha de que os mercados são às vezes irracionais, o Presidente da República disse que se limitou a repetir a afirmação do governante alemão.

"De facto, não vejo nenhuma razão para que as taxas de juro das obrigações do Tesouro português a dez anos se situem ao nível em que se encontram neste momento, apesar de nos últimos dias terem descido", reiterou.

Contudo, acrescentou, não é possível saber se a descida da taxa de juro irá continuar.

MERCADOS ATENTOS AO GOVERNO

A este propósito, o chefe de Estado voltou a deixar o alerta de que os mercados prestam atenção ao Orçamento do Estado, o documento em que o Governo apresenta a política económica e financeira que vai executar no ano em que termina o programa de ajustamento.

Ainda a propósito da situação do país, Cavaco Silva revelou que um dos pontos que insistiu nos contactos durante esta sua visita à Suécia foi a diferença que existe na fixação das metas do défice para Portugal e para a Irlanda.

"A meta fixada para Portugal neste ano de 2013 de défice é 5,5%, para a Irlanda é 7,5 por cento. Ou seja, o último ano de execução do programa irlandês. Para o próximo ano, a meta que está a ser sugerida é 4%, a meta fixada para a Irlanda é 5,1%", referiu.

Por isso, defendeu, é importante que a 'troika', assim como a imprensa e os analistas internacionais vejam que a Irlanda "tem um nível de dívida pública que não é inferior a Portugal, que conseguiu um bom resultado em matéria das promissórias bancárias e que tem metas de défice que são superiores a Portugal, apesar de estar no último ano de execução do programa".

"Com certeza que existem razões para essa situação, a competitividade das empresas irlandesas, mas não se pode negar é o esforço que Portugal tem vindo a fazer, principalmente em termos estruturais para a redução do défice", acrescentou.

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