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Correio da Manhã

Política
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Cavaco foi o mais visto

Cavaco Silva foi, dos cinco principais candidatos à Presidência da República entrevistados pela TVI, o mais visto, ao registar 18,2 por cento de audiência média, mais 4,4 pontos percentuais do que Manuel Alegre, o mais assistido até à data.
16 de Novembro de 2005 às 00:00
Segundo a TVI, a entrevista ao ex-primeiro-ministro, transmitida na noite de anteontem, foi vista por 1717 mil espectadores, contra os 1312 mil que assistiram a Alegre. E, ainda de acordo com aquele canal de televisão, apesar de a entrevista ter sido transmitida no ‘Jornal Nacional’, Cavaco registou mais audiência do que a média verificada pelo programa (16,7 por cento).
Mas, ganho o campeonato das entrevistas aos candidatos, o ex-primeiro-ministro não foi líder de audiência: ficou aquém da telenovela ‘Ninguém como Tu’ (19,2 por cento) e da ‘1.ª Companhia II – Diário’ (19,2 por cento).
As entrevistas da TVI, conduzidas por Constança Cunha e Sá, editora de Política, começaram dia 2, com Mário Soares, que registou o nível mais baixo de audiência (11,2 por cento), facto atribuído à entrevista que a cantora Shakira dava, à mesma hora, na SIC. Seguiu-se Jerónimo de Sousa (12,8 por cento), Francisco Louçã (11,7 por cento) e Manuel Alegre (14 por cento). Cavaco Silva, o último, foi visto por alguns dos seus principais opositores.
Mário Soares, candidato do PS, não viu a entrevista, pois encontrava-se num jantar em Guimarães. “Já me contaram algumas coisas, mas não quero dar a minha opinião em segunda mão. Vou tentar ver hoje [ontem] essa entrevista e pode ser que amanhã [hoje] a comente.”
Já Manuel Alegre, candidato independente, assistiu à entrevista. Segundo Inês Pedrosa, porta-voz da candidatura, os resultados da audiência são os esperados: “É natural que as pessoas tenham tido curiosidade dado que até agora Cavaco Silva tem estado sempre calado.”
Uma curiosidade ‘democrática’ que, na opinião da mesma, saiu defraudada, pois “Cavaco diz que é contra a retórica, mas fartou-se de falar e nada disse”. Ou seja, de acordo com a escritora, “disse o mesmo que os outros. E quando confrontado com o passado, refugiou-se no futuro. É lógico que todos os candidatos são pelo futuro, mas têm um passado”, sublinhou ao CM.
Jerónimo de Sousa, candidato do PCP, assistiu “a parte da entrevista”, mas escusou comentá-la.
Também Francisco Louçã, candidato do Bloco de Esquerda, viu o programa e no ‘site’ do partido (www.bloco.org) escreveu: “Cavaco Silva, finalmente, falou. Dão-se alvíssaras a quem se lembre do que ele tenha dito sobre o presente ou o futuro do País. Do passado não fala, a não ser de si próprio e pouco. Foi o melhor primeiro-ministro, pensa Cavaco. E quer ser Presidente, por isso não diz nada de nada. Ficámos a saber que quem vota em Cavaco não sabe no que vota.”
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