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Correio da Manhã

Política
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Cavaco quer PSD no bom caminho

Aníbal Cavaco Silva prefere ficar à margem da vida política interna do PSD, mas deseja que o seu partido “reencontre rapidamente o caminho”. Uma aspiração manifestada ontem em Luanda, capital angolana, à margem da abertura do II Congresso Pró Pace.
3 de Março de 2005 às 00:00
“Desejo que o PSD reencontre rapidamente o caminho que o coloque numa posição central na vida política portuguesa”, afirmou o antigo primeiro-ministro aos jornalistas. Depois, explicou que, desde que saiu da liderança do partido, não fez qualquer declaração sobre a vida interna do PSD ou a sua estratégia e que, por isso, “este não é o tempo de quebrar esse voto de silêncio”. Uma posição que se estenderá, seguramente, para lá do congresso a realizar em Pombal.
O professor também não quis fazer análises sobre a vida política nacional: “É ainda muito cedo para o fazer e vou manter esta posição até que chegue o momento ideal”. Questionado sobre a possibilidade de vir a candidatar-se à presidência, limitou-se a dizer que não comentava assuntos de Portugal em território angolano. “Não o fiz em Portugal e não o farei aqui”.
O antigo líder do PSD negou-se também a falar sobre a sua ausência ao longo da campanha do PSD nas últimas legislativas e das razões que estiveram na origem da retirada do seu nome e imagem de um cartaz onde estariam outros líderes do PSD. “O partido vai ter uma nova direcção e como antigo líder é importante que me mantenha em silêncio para não influenciar a escolha”, disse.
Na sua intervenção, no congresso, o antigo líder do PSD defendeu que o respeito pelo jogo democrático por todos os agentes políticos do País é a “melhor garantia” de que Angola não volta a conhecer a guerra. Cavaco foi muito aplaudido no fim do seu discurso sobre ‘Democracia e Desenvolvimento’.
DISCURSO DIRECTO
“Desde que abandonei funções não fiz nenhuma declaração sobre a vida interna do meu partido nem sobre a sua estratégia e este não é o tempo de quebrar esse voto de silêncio.
Não vou dar lições. Não me compete nem o faria jamais.
Vim apenas para trocar conhecimentos e aprender um pouco mais.
É preciso que a igreja dê o seu contributo para o desenvolvimento da democracia e o povo participe nas próximas eleições.
A melhor garantia que pode ser dada ao povo angolano, de que não voltará a conhecer os horrores da guerra, talvez esteja na observância das regras do jogo democrático por todos os agentes políticos..."
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