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Correio da Manhã

Política
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Cavaco Silva duvidou de Azeredo Lopes

Ex-Presidente via “pessoa difícil e desagradável no trato”.
Diana Ramos 23 de Outubro de 2018 às 09:35
Cavaco Silva
Novo livro de Cavaco Silva
Embaraço e elogios entre Marcelo e Cavaco
Cavaco Silva
Cavaco Silva
Cavaco Silva
Novo livro de Cavaco Silva
Embaraço e elogios entre Marcelo e Cavaco
Cavaco Silva
Cavaco Silva
Cavaco Silva
Novo livro de Cavaco Silva
Embaraço e elogios entre Marcelo e Cavaco
Cavaco Silva
Cavaco Silva
O ex-Presidente da República Cavaco Silva recorda no livro ‘Quinta Feira e Outros Dias - Da coligação à Geringonça’ ter tido dúvidas sobre a escolha de Azeredo Lopes – que pediu a demissão por causa do caso de Tancos – para liderar o Ministério da Defesa.

Na segunda parte das memórias, agora publicadas em livro que chega hoje às bancas, Cavaco recorda a reunião com António Costa, de 25 de novembro de 2015, antes da posse do Executivo, e dos comentários que fez às escolhas para ministros. Houve dois nomes que lhe mereceram particular atenção: Augusto Santos Silva, nos Negócios Estrangeiros, que Cavaco elogiou; e Azeredo Lopes, figura que o então Chefe de Estado "não conhecia de todo".

"A informação que recolhera apontava para uma pessoa difícil, desagradável no trato e de linguagem um pouco agressiva, o que me levava a recear dificuldades nas suas relações com as chefias militares e em reconhecer devidamente a especificidade da condição militar."

O antigo Presidente documenta também as onze reuniões que teve com António Costa durante o mandato e recordou episódios do pré e pós-geringonça.

Num encontro a 12 de outubro, quando Cavaco já tinha percebido que Costa estava negociar apoios para governar, o ex-Presidente conta que Costa usou o argumento de que "se aceitasse um muro a separar o eleitorado do PS do eleitorado à sua esquerda, o seu partido poderia ver-se impedido de governar por muito tempo" e que o motivo pelo qual afastava um acordo com PSD e CDS era "salvar o PS".

"Ocorreu-me dizer-lhe que ser primeiro-ministro era uma condição necessária para se salvar a si próprio como líder do PS, mas, como é óbvio, não o fiz", confessa. E descreve o primeiro-ministro como "profissional político de pendor taticista" e "um mestre em gerir a conjuntura política".

Passos ameaçou demitir-se pelo menos duas vezes 
Passos Coelho quis demitir-se por duas vezes. A primeira em setembro de 2012, aquando da polémica da TSU, que gerou uma declaração violenta de Portas. Passos ligou a Cavaco: "Concluiu que não tinha condições para continuar."

A segunda a 12 de maio de 2013. Passos queria aplicar cortes às pensões para ter aval da troika. Portas discordou e colidiu com as Finanças. Durão Barroso ligou então a Cavaco a avisá-lo que Passos "estava determinado a ir-se embora".

Jerónimo admitiu entrada no Governo   
O relato sobre a queda do Governo de Passos Coelho e os contactos à esquerda para a formação da geringonça ocupa largas páginas do livro.

Recordando um encontro com Costa de 12 de outubro, Cavaco escreve que o líder do PS lhe contou que Jerónimo de Sousa "manifestara-se disponível para um acordo de incidência parlamentar com o PS e, inclusivamente, para assumir responsabilidades governativas".

Cavaco duvidou. "Não só não havia um acordo tripartido como tinham sido necessários 20 dias para conseguir fechar três acordos."
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