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Correio da Manhã

Política
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Cavaco Silva pede colaboração alemã

O primeiro dia da visita oficial do Presidente da República portuguesa à Alemanha ficou marcado pela intervenção de Cavaco Silva junto do homólogo alemão, Horst Kohler, a favor da salvação da empresa Qimonda em Portugal.
4 de Março de 2009 às 00:30
Cavaco enfatizou o papel dos alemães em Portugal, já que são o segundo maior cliente e fornecedor do País
Cavaco enfatizou o papel dos alemães em Portugal, já que são o segundo maior cliente e fornecedor do País FOTO: Soeren Stache

No final de um curto encontro no Palácio Bellevue, e em resposta a uma pergunta de um jornalista luso-alemão que se referiu à Qimonda como "um fantasma que está a pairar sobre as relações dos dois países", o Chefe de Estado confessou que tinha trocado "breves palavras" sobre o assunto com Kohler.

Cavaco começou por sublinhar a existência de outras empresas alemãs em Portugal e que operam com sucesso, nomeadamente a Siemens, a Bosch e a Continental. E terminou a resposta com uma frase-chave, alertando para a necessidade de algum envolvimento do lado alemão: "As autoridades portuguesas estão muito abertas para apoiar a sua reestruturação, mas é também necessário algum envolvimento das autoridades alemãs."

Este exemplo de esforço conjunto entre dois Estados europeus, dado por Cavaco, serviu como um luva àquilo que tinha dito momentos antes quando criticou os proteccionismos e os nacionalismos dos Estados. O Presidente da República defendeu que estes dois "ismos" devem ser rejeitados, considerando que ambos podem "ser muito perigosos em termos políticos".

Também no encontro à tarde com a chanceler Angela Merkel, que demorou perto de 45 minutos, a questão da Qimonda foi abordada.

DECISÃO SOBRE AS ELEIÇÕES SÓ DEPOIS DE JUNHO

O Presidente da República disse ontem em entrevista ao jornal alemão ‘Frankfurter Allgemeine’ que não tomará uma decisão sobre a data das eleições legislativas antes de Junho e que acha que deve aceitar as propostas dos partidos políticos.

Segundo a Constituição, as legislativas deverão decorrer entre 14 de Setembro e 14 de Outubro, mas pela primeira vez na história recente Portugal terá três eleições nacionais em quatro meses (Europeias, em Junho, Autárquicas e Legislativas, entre Setembro e Outubro).

Há cerca de dois meses a Presidência da República emitiu uma nota onde referia que o Chefe de Estado "não falou absolutamente com ninguém" sobre as suas "intenções ou preferências" relativamente às datas das eleições que irão decorrer este ano.

MANUEL PINHO SÓ SE JUNTA HOJE À COMITIVA

Manuel Pinho apenas se junta hoje à comitiva do Presidente da República em Berlim. Ao que o CM apurou, "foi assim que ficou decidido", disse fonte da Presidência, que não se alargou em comentários. O certo é que assim o ministro da Economia evitou uma série de encontros constrangedores, um com Kolher e outro com Merkel, durante o dia de ontem, depois de no dia 15 ter dito que a culpa pelo atraso da recuperação da empresa Qimonda era do Governo alemão. Assim, e ao que o CM apurou, Manuel Pinho inicia a sua participação nesta visita no encontro empresarial ‘Portugal-Alemanha’.

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