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Correio da Manhã

Política
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CDS ATACA AUTARCA DO PSD

Os três vereadores do CDS-PP eleitos para a Câmara Municipal de Mirandela pediram na reunião do executivo da passada sexta-feira a perda de competências do presidente, José Silvano, ao mesmo tempo que declararam ir apresentar queixa no Ministério Público e à Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) sobre alegadas irregularidades que lesam os cofres da autarquia em milhares de euros.
12 de Março de 2003 às 00:00
Em causa, segundo Abrunhosa de Sousa, vereador dos Populares, está "a compra pela autarquia de um terreno que, menos de 15 dias depois, foi vendido a um particular, a título de benefício aprovado apenas pelo presidente, por um preço inferior em mais de 75 mil euros, sem que saibamos para que fim se destina o mesmo, tanto mais que não está em zona abrangida pelo PDM".

A aquisição do antigo quartel dos Bombeiros, "apenas concretizada depois de o seu chefe de gabinete ter assumido a presidência da direcção dos soldados da paz", e a compra de uns terrenos para onde esteve destinada a construção da Estação de Tratamento de Águas, "que a autarquia não tinha obrigação de pagar porque essa é uma responsabilidade da empresa Águas de Portugal e não fazia sentido comprar este terreno quando ele não servia para outra coisa" são algumas razões que levam os Populares a dizerem que "a confiança da autarquia foi violada".

Em consequência, os vereadores do CDS-PP pedem que sejam retirados os poderes ao presidente, "cujo comportamento indicia má-fé nos casos que vamos apresentar às entidades competentes".

José Silvano, presidente da edilidade, confirmou que as questões foram levantadas na reunião do executivo, mas afirmou que os vereadores centristas "não sabem o que dizem. Com partidos amigos destes eu não preciso de inimigos. Exerço os meus poderes com naturalidade. Não tenho culpa de que a vereação, por maioria, tenha delegado no presidente todos os poderes da câmara municipal".

Sobre as comparas e vendas de terrenos o edil afirma que "vai ser construída uma empresa de componentes de automóveis, que vai criar 35 postos de trabalho que se fosse construída na Zona Industrial pagava o mesmo preço e tínhamos de fazer as infra-estruturas”.

“Quanto ao quartel dos bombeiros, em vez de lhe dar um subsídio, comprámos o imóvel para que estes pudessem pagar as suas dívidas. Tão simples quanto isto", explicou ao Correio da Manhã.
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