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Correio da Manhã

Política
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CDS e Governo sem acordo

As negociações deste sábado entre CDS-PP e Governo quanto ao Orçamento de Estado não levaram a um acordo e, de acordo com o vice-presidente centrista Luís Queiró, estão ainda longe de um consenso.
16 de Janeiro de 2010 às 18:34
Luís Queiró
Luís Queiró FOTO: Sérgio Lemos

Em declarações aos jornalistas no final do encontro de seis horas no Ministério das Finanças, o responsável do  CDS-PP sublinhou a existência de dificuldades no quadro económico actual, "de disciplina  e rigor orçamental" impostos pela crise, que, por esse motivo, "exige imaginação e capacidade" para se encontrarem "mecanismos compensatórios que permitam tomar certas medidas", o que "implica escolhas e saber quais são as prioridades  políticas".        

"Somos um partido da oposição e nem sempre as prioridades políticas  são as mesmas. É essa justaposição que estamos à procura nas áreas em discussão.  Se lá chegamos, não sei. Hoje ainda estamos longe", salientou, acrescentando que continuam a trabalhar “com sentido de responsabilidade, sentido de Estado e de patriotismo, procurando que este orçamento traduza uma melhoria efectiva para as vidas das pessoas, permitindo a retoma económica".     

Já o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, fez um balanço "claramente positivo" da discussão, mas escusou-se a comentar se um entendimento com o CDS está ou não mais perto.        

"É cedo para o dizermos. Temos de levar as conversas até ao fim e fazer  depois um balanço global e averiguar se sim ou não, se justifica esse entendimento", considerou, elogiando o "empenhamento claro" do CDS para a obtenção de um  orçamento que permita apoiar a economia e que "inicie um processo de consolidação orçamental de correcção do desequilíbrio das contas públicas".        

Teixeira dos Santos afirmou que o executivo vê com naturalidade as propostas do lado da despesa, justificando que estas medidas devem ser encaradas como "estímulos que são necessários e que se justificam na actual conjuntura".   

O pagamento especial por conta, que o Governo quer manter e o CDS pretende reduzir, foi um dos assuntos da discussão mas nenhuma das partes quis adiantar se chegaram a acordo quanto a esta matéria.         

As reuniões entre o executivo de José Sócrates e o CDS retomam na terça-feira ao final da tarde, e o ministro pretende voltar às negociações com o PSD ainda na próxima semana.        

Além dos assuntos que ficaram pendentes do encontro e que merecem  algum trabalho a nível técnico do CDS, os centristas querem abordar na próxima sessão outros temas, duas bandeiras eleitorais dos centristas: agricultura e segurança.   

Na agricultura, o CDS pretende um melhor aproveitamento do total de 21 mil milhões de euros de fundos comunitários (para o período 2007/2013), com uma aplicação "mais célere", enquanto na segurança defende mais meios  humanos e técnicos para as polícias, de forma a "atacar a intranquilidade  pública que resulta de um aumento da criminalidade".   

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