CDS lança farpas a Rui Rio por causa de Tancos

Partido chamou o ministro da Defesa para o confrontar com as falhas de informação em torno do roubo.
12.09.18
"No CDS, não comparamos furtos de armamento militar a sketches humorísticos, não comparamos paióis a galinheiros nem comparamos armas a galinhas, mas também não confundimos a atuação do Governo e do Exército com órgãos de polícia criminal nem com o Ministério Público; nem muito menos respeito pelo segredo de justiça com a demissão de assunção de responsabilidades", disse o deputado do CDS, João Rebelo, no arranque da audição ao ministro da Defesa Azeredo Lopes, esta quarta-feira no Parlamento.
 
As palavras de João Rebelo foram direitas a Rui Rio e à forma como o líder do PSD se referiu ao assalto ao armamento militar no paiol de Tancos no discurso na Universidade de Verão social-democrata em Castelo de Vide.

"Os gatunos chegaram à guerra e estava fechada, aproveitaram para levar o que levaram", gracejou na altura Rio, numa alusão ao famoso monólogo humorístico protagonizado por Raul Solnado sobre a guerra.

Nesse discurso, Rio chegou mesmo a dizer que "afinal, pode-se assaltar armamento militar, como se assalta um jardim para roubar umas galinhas".

CDS lembra que há respostas por dar 
Os centristas reclamaram respostas perante o ministro da Defesa, mas esbarraram na insistência de Azeredo Lopes no facto de o processo estar em segredo de Estado e sob a alçada do Ministério Público e da Polícia Judiciária.
 
"15 meses depois, e apesar dos apelos lançados pelo Senhor Presidente da República, Comandante Supremo das Forças Armadas, não estamos esclarecidos", insistiu João Rebelo, lembrando que o CDS chamou o ministro ao Parlamento esta quarta-feira porque ainda há muito que não se sabe sobre o roubo e sobre se o material devolvido corresponde ou não ao que foi furtado em Tancos.

"E, audição após audição, e perante todas as contrariedades que têm vindo a público, continuamos sem perceber sé o Governo que não sabe – e devia saber – porque a hierarquia militar não sabe o que se passou efetivamente em Tancos; ou se o Governo não sabe – e devia saber – porque a hierarquia militar esconde informação ao Governo sobre o que se passou efetivamente em Tancos", lançou o deputado centrista.

Apesar da insistência, Azeredo Lopes foi-se escudando no segredo de Justiça e garantiu não haver nenhuma contradição entre o que disse e o que afirmou o Chefe de Estado Maior do Exército, o general Rovisco Duarte.

Azeredo Lopes acusou mesmo a oposição de não deixar cair o assunto para "causar alarme social", elogiou as forças armadas, que considera terem conseguido "manter o patamar de segurança".

O ministro convidou mesmo os deputados a "visitar in loco" as instalações militares de Santa Margarida para confirmar "o que o Governo fez sem espavento".

PS acusa Rio de falta de dignidade 
Idália Serrão, do PS, defendeu mesmo que "muitas das questões que estão hoje a ser aqui colocadas estão respondidas nos documentos classificados que foram entregues a esta comissão", afirmando que o ministro veio hoje ao Parlamento "dizer o que já aqui veio dizer várias vezes".

A deputada socialista também não poupou Rui Rio. "São usadas metáforas que são muito pouco dignas", disse, esclarecendo estar a referir-se ao líder do PSD, que acusou de estar a causar "alarme social" por dar a entender que tinha informação que não podia revelar sobre um tema que está em segredo de Justiça.

"A rábula que foi usada pelo PSD não augura nada de bom", atacou Idália Serrão, que criticou o facto de Rio ter feito "uma graçola" com um assunto sério.

Mas Idália Serrão não poupou também o CDS que acusou de estar a alterar a postura de respeito que tradicionalmente tem em relação às forças armadas por causa de uma "picardia de direita".

"Acho que esse foi um momento muito infeliz", comentou Azeredo Lopes sobre as palavras de Rui Rio.

"Nunca eu fiz chacota com instituições do Estado. O que eu considero é que há níveis no debate político que têm de ser respeitados", declarou o governante.

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