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Correio da Manhã

Política

CDU denuncia agravamento das desigualdades em bairros sociais do Porto

Partido insistiu na necessidade de uma intervenção multidisciplinar.
Lusa 18 de Junho de 2020 às 17:45
 O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa, líder do PCP
 O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa, líder do PCP
 O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa, líder do PCP
A CDU denunciou esta quinta-feira o agravamento da situação social em bairros municipais do Porto, insistindo na necessidade de uma intervenção multidisciplinar que permita atenuar as desigualdades que se agravaram durante a pandemia.

"As desigualdades que existiam agravaram-se com a pandemia e fazem-se sentir de um modo muito particular nestas zonas, afetando sobretudo crianças e idosos", afirmou a vereadora Ilda Figueiredo, em declarações à Lusa, depois de uma visita aos bairros do Lagarteiro e do Cerco.

Para Ilda Figueiredo, fica claro, com os testemunhos que recolheu durante estas visitas, que esta situação exige "um particular cuidado", nomeadamente através da implementação de medidas coordenadas e de reforço da intervenção no terreno.

"Aquilo que já era importante ser feito antes da pandemia, agora surge ainda como maior necessidade", declarou, sublinhando que nestes dois bairros vivem milhares de pessoas, muitas delas trabalhadores precários que ficaram sem emprego, rendimento e apoio.

Da visita aos dois bairros é comum o abandono do espaço público, com a ausência ou degradação dos equipamentos para a infância, a inexistência ou a falta de capacidade de estruturas de apoio às crianças, jovens e idosos, entre outros.

A vereadora, que no início deste mês tinha já visitado os bairros de Pinheiro Torres e da Pasteleira Nova, assinala que o agravamento da situação social nestes bairros reforça ainda mais aquilo que tem vindo a defender sobre a necessidade da criação de equipas multidisciplinares que possam trabalhar em conjunto com os moradores e associações locais em prol da melhoria do espaço público.

À Lusa, Ilda Figueiredo defendeu ainda a criação da figura do mediador social que facilite o diálogo entre moradores, evitando e resolvendo conflitos, e promovendo a integração social.

No caso do bairro do Lagarteiro, a dirigente assinala ainda a questão do policiamento, devido ao encerramento do posto de atendimento que lá funcionava.

"Numa zona onde as pessoas sentem a necessidade do policiamento de proximidade, um posto de atendimento da PSP era sempre importante", disse, salientando, contudo, que está é uma questão que dependente do Governo.

No bairro do Cerco, embora reconhecendo que alguma coisa está a ser feita, nomeadamente ao nível da reabilitação do edificado, a vereadora considera que ainda assim "é muito insuficiente", insistindo mais uma vez na necessidade de a autarquia intervir reforçando as atividades e o apoio nestas zonas.

Estas questões, adiantou Ilda Figueiredo, vão ser colocadas na reunião do executivo municipal de segunda-feira, mas o objetivo é trazer a questão também para a dimensão do Estado central.

De acordo com a página da Domus Social, no Bairro do Cerco vivem atualmente 2.087 pessoas, e no Lagarteiro 1.194 pessoas.

Na reunião de câmara de dia 08 de junho, foi aprovada, com a abstenção da maioria municipal, uma proposta da CDU que recomenda o lançamento "urgente" de programa de ações e iniciativas com equipas especializadas, particularmente destinadas à inclusão de crianças, jovens e idosos.

Na ocasião, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, referiu que, apesar de não discordar dos objetivos referenciados na proposta, "muitas ações estão já a ser desenvolvidas", tendo sublinhado que é o primeiro a ter a exigência de querer sempre fazer mais e melhor.

Antes, o vereador da Habitação e Coesão Social, Fernando Paulo, tinha já destacado os projetos desenvolvidos pelo município neste âmbito, nomeadamente a criação do Fundo Municipal de Apoio ao Associativismo Popular em 2019, e cuja segunda edição da iniciativa, com uma dotação de 800 mil euros, está a ser preparada.

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