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Correio da Manhã

Política
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CDU sai reforçada na Margem Sul

Nem as melhores previsões dos comunistas anteviam este cenário. De uma assentada, a coligação PCP/PEV recuperou o Barreiro, Sesimbra e Alcochete. Peniche foi a ‘jóia da coroa’ e Marinha Grande volta às mãos do PCP.
11 de Outubro de 2005 às 00:00
MARINHA GRANDE: REGRESSO DESEJADO
O regresso da CDU à liderança da Câmara da Marinha Grande parece agradar à população. “Era uma vitória que perseguíamos há bastante tempo”, afirmou ontem Barros Duarte, candidato eleito pela CDU, acrescentando que as pessoas votaram contra “o autoritarismo, a incapacidade de gestão dos dinheiros públicos e a especulação imobiliária”. Para Paulo Bernardino, 43 anos, comerciante, esta viragem política “era esperada e desejada”. “Com tanta asneira que eles (PS) fizeram, se não fosse este ano, nunca mais era”, referiu. As pessoas “estavam muito descontentes”, adiantou Margarida Oliveira, 50 anos.
PENICHE: 'O PRESIDENTE IDEAL'
Um “homem da terra” que “está sempre presente” e o “presidente ideal para resolver os problemas do concelho” é como António José Correia, eleito para presidir à Câmara de Peniche, é definido por alguns dos que votaram nele. À partida para mais uma jornada de pesca, a tripulação do ‘Rio Minho’ manifestou a sua ‘fezada’ no ‘Tozé Correia’, como é conhecido.
“Tenho confiança nele”, dizia José Manuel Ricardo. Outro pescador, José António Codinha, já reformado, acrescenta: “Tem sido muito bom para os reformados e agora retribuímos a ajuda com o nosso voto”. António José Correia diz que quer “estar próximo das pessoas”, mas “Peniche é mar e essa vocação marítima é transversal a toda a gestão”.
AVALIAÇÃO DO EDIL CESSANTE: SESIMBRA À ESPERA
Ao final de oito anos, a Câmara Municipal de Sesimbra voltou a cair nas mãos do PCP e em concreto nas mãos de Augusto Pólvora. O ainda presidente, Amadeu Penim, até nem “era má pessoa”, dizem os populares, mas acabou por “levar por tabela por ser do PS”, desabafa Joaquim Paulino, de 64 anos, um velho ‘lobo’ do mar conhecido, na lota, por Esquimó.
“É verdade que ele esteve sempre ao lado dos pescadores mas é do PS e estas eleições nós tínhamos de penalizar o engenheiro José Sócrates”, diz António, 43 anos, também pescador. Em causa está sobretudo o protesto contra o novo Plano de Ordenamento da Arrábida que restringe a pesca artesanal. O protesto é tão partilhado por todas as gentes da vila que muitos foram votar no domingo com uma fita preta no braço em sinal de solidariedade.
Ontem, em Sesimbra, o dia foi vivido com grande normalidade. Toda a gente sabe que algo mudou, mas ainda ninguém arrisca em dizer o que na verdade vai mudar. Para já o destino tem tudo para ser promissor. É que as eleições acabaram por sorrir a “um homem da terra, filho de Sesimbra e filho de pescadores”, lembra João Pereira de 57 anos, morador em Sesimbra há 32. “O futuro a Deus pertence”, como dizem, mas as expectativas e os desejos são legítimos.
“Há muita coisa para fazer desde jardins e parques para as crianças até à revisão dos horários de funcionamento dos estabelecimentos nocturnos”, diz Maria Cidália da Silva, 41 anos, empregada de balcão.
Para a maioria este é um regresso às origens porque, como dizem, Sesimbra sempre foi comunista desde o 25 de Abril. Contudo, já ninguém se deixa levar pelos slogans de campanha. Se Augusto Pólvora estiver disposto a deitar mãos ao trabalho como diz, será bem-vindo, “senão daqui a quatro anos segue o caminho do outro”, conforme vai avisando Fernando Peixoto de 23 anos.
A RECONQUISTA DA CIDADE DO BARREIRO
No Barreiro, a CDU pediu “confiança” e os barreirenses deram-na ao seu candidato Carlos Carvalho. “Conseguimos!”, desabafava ontem com um sorriso nos lábios Fátima Prata, 42 anos, auxiliar de acção médica.
“Há muito que perseguíamos este resultado para a CDU. O anterior autarca pecou em muitas promessas que fez e não cumpriu. Muito sinceramente estou esperançada no futuro. É desta que vamos para a frente”, disse. No Barreiro, o PCP conquistou quase 42 por cento dos votos. O resultado foi demasiado penoso para o PS (34,46%), mas no entender dos populares bastante merecido. “Fizeram-se muitas asneiras por aqui. A arrogância e os desperdício reinaram nos últimos anos”, acusa António Lopes, 60 anos, reformado. “Até os comboios de longo curso tiraram daqui”, lembra. Agora é esperar para ver a acção do novo presidente.
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